Presidente da Vila Isabel é preso em ação da PF contra máfia de caça-níqueis

Também foram presos sete policiais militares, entre os quais um major, e um policial civil; investigações não têm ligação com atentado contra o bicheiro Rogério Andrade

Marcelo Auler, de O Estado de S. Paulo

13 de abril de 2010 | 10h19

RIO - Com a prisão do presidente da Escola de Samba Unidos de Vila Isabel, Wilson Vieira Alves, o Moisés, a Polícia Federal aposta que conseguiu desbaratar o esquema que controlava a exploração de caça-níqueis nos municípios de Niterói e São Gonçalo. "Apreensão de máquinas não resolve. Nosso foco foi em quem controla o jogo", explicou o delegado Marco Aurélio Costa de Lima, um dos responsáveis pela Operação Alvará, desencadeada ontem de manhã na capital fluminense e mais quatro cidades vizinhas.

 

Mais de 230 agentes federais foram às ruas para cumprir 28 mandados de prisão - dos quais 24 foram executados até o final da tarde - e 49 mandados de busca e apreensão. Os federais contaram com a ajuda da Corregedoria Geral Unificada (CGU) da Secretaria Estadual de Segurança, por causa da presença de policiais na quadrilha. No final do dia eles tinha recolhidos duas armas pequenas e R$ 386 mil.

 

Além de Moisés foram presos mais dois diretores e um assessor da Escola de Samba, o major PM Antônio Ricardo da Silva Ramos (ex-chefe do Setor de Inteligência - PM2 do 7º Batalhão, em São Gonçalo), outros seis soldados PMs e o policial civil Lúcio Teixeira Tibau, na casa de quem foram encontrados R$ 115 mil em dinheiro. Entre os demais presos estavam onze "maquineiros" (donos das máquinas caça-níqueis e de música) e participantes do núcleo do jogo

 

Segundo o delegado Costa de Lima, com autorização da cúpula do Jogo do Bicho, Moisés controlava toda a exploração das máquinas caça-níqueis cobrando dos "maquineiros" um pedágio mensal. O pagamento geravam um selo mensal que funcionava como uma espécie de alvará de funcionamento das máquinas. Daí surgiu o nome Operação Alvará.

 

Em Niterói, o jogo é controlado por dois grandes banqueiros que pertencem à chamada cúpula do jogo do bicho no Rio, Antônio Petrus Kalil, o Turcão, de 85 anos, e Ailton Guimarães Jorge, o Capitão Guimarães, de 69 anos. Dos 42 mandados de busca e apreensão expedidos pela 4ª Vara Federal Criminal de Niterói, um deles foi no escritório do Capitão Guimarães, no bairro do Ingá.

 

A investigação da Operação Alvará não tem qualquer ligação com a explosão do carro do também bicheiro Rogério Andrade, semana passada, na Barra da Tijuca. Andrade, sobrinho do velho bicheiro Castor de Andrade, disputa o controle da exploração de máquinas caça níqueis na Zona Oeste do Rio, com Fernando Ignácio de Miranda, genro de Castor.

 

Mas os dois fatos isolados, no entendimento do superintendente da Policia Federal do Rio, Ângelo Fernandes Gioia, deve servir de alerta. "É importante ficar claro para a sociedade que esta atividade não é uma atividade romântica, lúdica, como muitos querem mostrar e apresentar. É uma ação nefasta, que movimenta milhões de reais, que abastece outras práticas criminosas, notadamente corrupção de agentes públicos. É um enfrentamento necessário que todos nós não devemos evitar."

 

Texto atualizado às 19h15.

 

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