Presidente diz que subirá no palanque dos aliados em 2012

Em evento de despedida no Rio, ao lado de Cabral e Paes, ele lembra episódio do mensalão, o qual 'a História vai julgar'Para ele, é melhor lutar por pauta mais realista e menos ideológica; Lula brinca e lamenta ter ficado 8 anos sem reajuste

Alfredo Junqueira / RIO, O Estado de S.Paulo

21 de dezembro de 2010 | 00h00

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou a milhares de pessoas que tomaram a Praça da Apoteose durante a festa "Obrigado, presidente Lula: o povo do Rio agradece", na noite de ontem, que vai continuar na vida política do País depois do dia 31. Avisou, também, que pretende ajudar políticos aliados nas eleições municipais de 2012 - e citou como exemplo o prefeito da cidade do Rio, Eduardo Paes, que deve tentar a reeleição.

"Daqui a dois anos tem eleição. Eu não posso falar, mas vou estar aqui para manter essa dupla coordenando o Rio. Para não permitir que venha outra pessoa atrapalhar o nosso projeto", afirmou, referindo-se a Paes e ao governador reeleito Sérgio Cabral.

Numa fala de 23 minutos, Lula se emocionou ao rememorar sua vida política. Quando mencionou 2005, disse que "a História vai julgar" o episódio do mensalão. "Vocês viram o que aconteceu comigo em 2005. Mais uma vez se tentou truncar o mandato de um presidente democraticamente eleito."

Depois de lembrar os episódios de Getúlio Vargas (que se suicidou em 1954) e de João Goulart (que renunciou em 1964, após o golpe militar), concluiu: "Os meus inimigos iam ter que me derrotar nas ruas e nas portas das fábricas" . A frase levou ao delírio as milhares de pessoas que participavam da festa.

Disse ter certeza de que a sucessora, Dilma Rousseff, continuará a tratar o Rio "com o mesmo carinho". E desafiou: "Se juntar todos os presidentes da história deste País, duvido que tenham subido 10% dos morros que nós subimos nos últimos quatro anos".

Ao final da homenagem - organizada pelo PMDB do Rio, com a presença dos cantores Martinho da Vila e Zeca Pagodinho - o presidente fez uma comparação, lembrando o elogio que recebeu do colega americano Barack Obama. "O Obama disse que eu sou o cara porque não conhece esse pessoal do Rio. Eles é que são os caras".

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