Presidente do Masp fica ''''atônito e trêmulo'''' ao receber a notícia

Júlio Neves preparava-se para festejar um novo apoio do governo federal

Jotabê Medeiros, O Estadao de S.Paulo

21 de dezembro de 2007 | 00h00

A surpresa que o presidente do Masp, arquiteto Júlio Neves, teve ao saber do roubo, ontem de manhã, o deixou "atônito e trêmulo", de acordo com alguns de seus principais colaboradores. Ele se preparava, depois de muito tempo de más notícias, para dar algumas boas novas para São Paulo: o museu conseguiu finalmente apoio da Lei Rouanet para captar recursos para realizar exposições. Pediu ao Ministério da Cultura R$ 9.217.700,00 e teve a aprovação de R$ 8.101.730,02 para seu plano anual de atividades."Conversei com o Júlio. Liguei para ele. Estava chateado, aborrecido, mas também me disse que as autoridades estavam ajudando bastante", contou o presidente da Fundação Bienal de São Paulo, Manoel Pires da Costa, amigo de Neves. "Está todo mundo atônito. Essa era uma das últimas coisas que ele podia imaginar que acontecesse."Para Pires da Costa, agora principal atitude das autoridades será a de tentar impedir que as obras saiam do País. "Não é coisa de amadores, é coisa de uma quadrilha internacional. O Masp é um museu falado no mundo inteiro, tem grande reputação pela quantidade de quadros importantes. Isso deve ter chamado a atenção dos criminosos", ponderou.O último profissional que exerceu o cargo de conservador-chefe do museu, o professor Luís Marques, da Unicamp (que dirigiu o Masp entre 1994 e 1997), previa ontem que o roubo teria uma repercussão muito grande no mundo todo."O Retrato de Suzanne Bloch é uma obra-prima da fase azul de Picasso. Há uma coincidência: logo que entrei no museu, fui incumbido de buscar essa obra no Museu Picasso de Paris. Estava emprestada", afirmou Luís Marques. "A obra de Portinari é importante para o Brasil, mas são dois trabalhos muito diferentes, o que torna esse roubo completamente surrealista. Por que foram pegar o Portinari? Ou foi encomendado por um brasileiro ou fizeram isso para confundir."Marques não crê na participação de funcionários do museu no crime. O pessoal operacional é antigo, segundo ele, e trabalha no museu desde 1986. Não teria interesse nesse tipo de ação. E os seguranças, na sua avaliação, são apenas pessoas simples que prestam serviço de forma profissional, não têm esse tipo de relação no mundo das artes. "Não é necessária uma coisa tão conspiratória para explicar. É uma informação simplésima essa que permitiu o acesso (o horário da troca de guardas)", argumentou. Ivo Mesquita, curador da Bienal de SP, foi rigoroso. "Embora haja uma fragilidade na questão da segurança dos museus no País, já houve tentativa de assalto recente ao Masp. Então, é uma questão de responsabilidade específica. Que providências foram tomadas desde então? "

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