Beto Barata/AE
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Presidente do PMDB prega voo solo em 2014

Senador que substituiu Temer no comando da sigla afirmou, na capital mineira, que nomes do vice e do governador Sérgio Cabral já estão sendo preparados para a disputa; em resposta, os dois reafirmaram a manutenção da aliança com Dilma e com o PT

Marcelo Portela, O Estado de S.Paulo

07 de maio de 2011 | 00h00

Principal fiador da eleição de Dilma Rousseff à Presidência ao lado do PT, o PMDB cogita, segundo o presidente nacional da sigla, senador Valdir Raupp (RO), um voo solo em 2014, quando poderá disputar com a petista. O partido, acrescentou ele, já prepara os nomes do atual vice-presidente, Michel Temer, e do governador do Rio, Sérgio Cabral, para o pleito presidencial.

"O PMDB sofre desse mal de não preparar nomes. Agora, estamos com dois nomes sendo preparados. Michel Temer e Sérgio Cabral. Neste momento nós temos que focar nesses dois nomes e trabalhar em todos os encontros regionais do partido e nos programas eleitorais. Nós temos que ter nome. A base tem que se preparar para a guerra. Aliança você faz e desfaz a qualquer hora", disse o senador, sem temer os efeitos de uma ruptura da aliança com o PT.

Raupp reuniu-se ontem em Belo Horizonte com as principais lideranças mineiras do partido. Os peemedebistas discutiram estratégias para as eleições de 2012. No encontro foi reafirmada a intenção do PMDB de ter candidato próprio a prefeito em todas as cidades estratégicas. Ele deu como exemplo a filiação do deputado Gabriel Chalita (PSB) em São Paulo com intuito de disputar a Prefeitura.

A jornalistas, Raupp afirmou que o partido está tentando aumentar sua estrutura para ter a musculatura adequada nas eleições. De acordo com o senador, foi um "erro" o PMDB não ter preparado nomes para a Presidência" nas eleições anteriores. Ele ressaltou que agora o partido aprendeu e já começou a investir nas "lideranças maiores".

Surpresa. As declarações do presidente do PMDB constrangeram os correligionários. O vice-presidente da República, Michel Temer, disse que foi "surpreendido pelas declarações" e rebateu o senador. Segundo Temer, a tendência é a aliança entre PMDB e PT se repetir daqui a três anos. "No momento, há uma aliança muito forte com o PT e a presidente Dilma Rousseff e é muito cedo para qualquer articulação como essa", disse Temer, por intermédio de sua assessoria de imprensa.

No Rio, o governador Sérgio Cabral também negou a estratégia divulgada por Raupp, apesar de ser apontado nos bastidores inclusive como um potencial vice de Dilma caso ela tente a reeleição em 2014. Por meio da assessoria de imprensa, Cabral afirmou que está "focado no governo do Estado" e que, para 2014, defende "a reeleição de Dilma Rousseff presidente e Michel Temer vice". Cabral informou ainda que pretende seguir no mandato até o fim de 2014.

O presidente do PSDB, Sérgio Guerra (PE), reagiu com descrédito à declaração do presidente do PMDB. "Quem vai concorrer com o PT somos nós do PSDB, não vai ser o PMDB não", afirmou. Para Guerra, "se o PMDB tivesse vocação majoritária já teria lançado candidato a presidente". Procurado pelo Estado, o presidente do PT, o deputado estadual Rui Falcão (SP), disse que estava numa reunião e não poderia se manifestar ontem.

Pecha. Apesar da pecha de fisiológico que o PMDB carrega, o senador negou que a ameaça de enfrentar Dilma seja uma forma de pressionar por mais cargos na administração federal. Ele afirmou que, se for concretizado o projeto de candidatura própria, o partido não terá "nenhum constrangimento em deixar o governo".

Ele ressalta que, neste caso, a saída será "devagar, lentamente, sem estresse, sem trauma". "Se a aliança (com o PT) for importante para o País e estiver andando tudo bem, pode se reeditar. Senão, vamos ter nome à altura para disputar a Presidência."

Raupp avaliou ainda que o PMDB é "identificado como o partido mais importante para a governabilidade".

"Mesmo no governo do Lula, quando o PMDB não ocupou um ministério no primeiro biênio, não faltou com a governabilidade. Na pior crise que o PT teve, que foi aquela crise do mensalão, o PMDB esteve lá, nas comissões do Senado, defendendo o governo. Eu diria até que, naquele momento, o PMDB foi fundamental para sustentar o governo", disse o peemedebista. / COLABORARAM EDUARDO KATTAH, EUGÊNIA LOPES, LUCIANA NUNES LEAL e EVANDRO FADEL

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