Presidente do Sindicato dos Securitários é assassinado no Rio

Crime foi cometido nesta manhã por um dos diretores do sindicato identificado como Valdomiro Peixoto Valente

Clarissa Thomé, O Estado de S.Paulo

28 Agosto 2008 | 16h02

O presidente do Sindicato dos Securitários do Estado do Rio de Janeiro, Júlio Menandro de Carvalho, de 68 anos, foi assassinado a tiros na sede da entidade, na Cinelândia, centro do Rio, na manhã desta quinta-feira, 28. O crime foi cometido por um diretor do sindicato, inconformado por ter sido excluído da chapa eleita no início do mês para a próxima gestão.   O diretor do sindicato, identificado como Valdomiro, é acusado do assassinato Foto: Fábio Motta/AE   O assassinato aconteceu às 11h15, quando Carvalho chegava à sede do sindicato. Ele saiu do elevador no 21.º andar - que está desativado e dá acesso ao 22.º andar, onde funciona o sindicato - e foi abordado pelo diretor de assuntos trabalhistas, Valdomiro Peixoto Valente, de 52 anos. Há indícios de que os dois tenham lutado. Dez tiros foram disparados, pelo menos sete atingiram Carvalho. Valente ficou ferido numa das mãos.   Ele, então, chamou o elevador pelo telefone interno do condomínio, alegando que havia uma emergência. "A primeira coisa que eu vi quando a porta abriu foi o corpo do seu Júlio. O Miro entrou no elevador. Disse que seu Júlio tentou matá-lo e mandou que eu descesse. Eu pedi para ele abaixar a arma", contou o ascensorista João Maria do Nascimento. "Parecia um filme de terror". Sangrando numa das mãos, Valente fugiu do prédio.   A filha de Valdomiro chorou no hall de entrada do prédio, amparada por funcionários do prédio Foto: Fábio Motta/AE   Carvalho atuava havia mais de 30 anos na diretoria do sindicato - desde 1989 era o presidente da entidade. Ele era padrinho de um dos filhos de Valente, que estava no sindicato havia 12 anos. Segundo funcionários, as desavenças entre os dois começaram no ano passado. "As brigas começaram por divergências em questões administrativas e virou uma questão pessoal. A situação ficou insustentável e Miro e outros dois diretores foram afastados da chapa única que concorreu nesse ano", contou o assessor da presidência, Agostinho Espírito Santo.   Funcionários contaram que Valente costumava andar armado e passou a fazer ameaças a Carvalho. "Ele dizia que não tinha nada a perder". Poucas horas depois do crime, a filha de Valente, Maria Virgínia, esteve no prédio para visitar o pai. Desesperou-se ao ser avisada por policiais civis de que ele era o principal suspeito do assassinato. "Ele deu o sangue por isso aqui. E foi afastado da diretora. Estávamos passando necessidade em casa. O aluguel está atrasado", gritava. Pediu ajuda por telefone. "Disseram que meu pai matou o presidente. Eu não sei o que fazer", disse.   A viúva de Júlio Menandro de Carvalho, Leonor, também se desesperou no hall de entrada do prédio Foto: Fábio Motta/AE   A mulher de Carvalho, Leonor, foi avisada do crime e seguiu para a sede do sindicato. Ela passou mal, foi atendida pela equipe de enfermeiros do sindicato e deixou o prédio em cadeira de rodas.   A polícia apreendeu dois computadores e documentos do sindicato. As fitas do sistema interno de câmeras foram recolhidas. O delegado Ricardo Codeceira, da 5.ª Delegacia de Polícia, aguardava no fim da tarde de ontem o fim dos interrogatórios para pedir a prisão de Valente.    Atualizado às 19h42

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