Presidente do TSE analisa pleito e pede fim da reeleição

Após anunciar, por volta das 19h30 deste domingo, a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Marco Aurélio Mello, disse que seria um avanço se o Congresso Eleitoral acabasse com a reeleição."Na minha ótica, seria um avanço e não um retrocesso", afirmou Marco Aurélio. "Nós não podemos desconhecer que é muito difícil separar a figura do administrador da figura do candidato", disse. "E essa dificuldade decorre até mesmo da circunstância de o administrador candidato à reeleição permanecer na cadeira sucumbindo às tentações", acrescentou.Pela manhã, após ter votado em uma escola particular no bairro do Lago Sul, em Brasília, Marco Aurélio disse que o seu candidato ganharia. Na entrevista em que declarou Lula reeleito, Marco Aurélio foi indagado se o seu candidato havia vencido. Ele não respondeu. Disse que o voto é secreto. No entanto, não é difícil imaginar a escolha do presidente do TSE. Ele é contra a reeleição e contra o voto nulo e branco.O presidente do TSE concordou que a grande diferença de votos entre Lula e o tucano Geraldo Alckmin legitima o resultado das urnas. "A diferença maior de votos resulta em legitimidade para o candidato eleito", afirmou Mello, disse. "Está de parabéns a democracia e o povo brasileiro", afirmou. "O povo brasileiro quis a reeleição do atual presidente da República", acrescentou. Às 19h14 ficou matematicamente comprovada a reeleição de Lula.Surpresa com rapidez da apuraçãoIndagado se haverá uma espécie de terceiro turno da eleição presidencial, por causa da investigação aberta no TSE para apurar se o presidente Lula participou do esquema do dossiê, Marco Aurélio disse que não. "Não cabe a especulação para se dizer que talvez tenhamos um terceiro turno", afirmou. "Está na nossa Constituição Federal o princípio da não culpabilidade. A culpa tem de ser comprovada de forma robusta, irretorquível. Não vamos precipitar as coisas", afirmou.O presidente do TSE disse foi surpreendido com a rapidez da apuração dos votos. Ele esperava que por volta das 22 horas, 90% dos votos estivessem apurados. No entanto, esse porcentual foi atingido duas horas e meia antes. "Mais uma vez fomos surpreendidos pela máquina", disse. O Distrito Federal (DF) foi a primeira unidade da federação a terminar a apuração dos votos. No DF, Lula teve 56,96% dos votos válidos e Alckmin, 43,04%.Dizendo-se "mais uma vez surpreendido pela máquina", Mello avaliou que o sistema eleitoral brasileiro é "satisfatório", mas pode ser ainda aperfeiçoado. "E pretendemos aprimorar esse mesmo sistema, onde há preservação da vontade dos eleitores", afirmou. Segundo ele, o fim da apuração de 100% dos votos vai depender das urnas que foram substituídas por voto com cédula, que somaram 73.Ele considerou que o pleito transcorreu tranqüilamente, mesmo com a temperatura elevada entre os candidatos à Presidência da República. "Digladiaram-se os candidatos. Precisamos perceber que, em toda disputa, há tentativa de lograr êxito. Se os parâmetros aconselháveis são colocados em segundo plano, vingam as paixões. Mas creio que, no todo, tivemos um pleito em ordem, com observância de princípios", afirmou.

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