Presidente do Uruguai já fala em ‘importação’

Pelo menos 30 uruguaios declararam interesse no programa brasileiro Mais Médicos

06 Setembro 2013 | 23h20

O presidente uruguaio, José Mujica, disse nesta sexta-feira, 6, que a saída de profissionais para o Mais Médicos pode levar a uma parceria ou a um convênio com a Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), nos moldes do que o Brasil fez para agregar 4 mil cubanos para locais distantes. "Concedo liberdade aos nossos médicos. Se querem trabalhar no Brasil, não há problema. Mas me abrem a porta para que eu traga os cubanos", disse. Pelo menos 30 uruguaios declararam interesse no Mais Médicos.

"Falei sobre o assunto com a presidente (Dilma Rousseff, a quem teria pedido até para não fazer propaganda do projeto ‘além fronteiras’), tenho confiança nela e uma excelente relação com o Brasil", comentou, ao ser indagado sobre a possibilidade de uma fuga de profissionais.

Mirando sobretudo as associações médicas e os profissionais em geral, contrários à utilização de estrangeiros, Mujica ainda reiterou "que não estava dizendo que traria médicos cubanos". "Mas, se querem ir (para o Brasil), me abrem a porta para que eu traga cubanos", ressaltou. Anteriormente, um programa do ex-presidente Tabaré Vázquez (2005-2010), que trouxe especialistas cubanos para atendimentos oftalmológicos, causou fortes reações contrárias dos sindicatos e associações de médicos.

O Mais Médicos também preocupa as autoridades uruguaias. A ministra da Saúde, Susana Muñiz, criticou abertamente "profissionais que decidem deixar o Uruguai por US$ 1 mil mensais a mais". Já Mujica ainda falou da necessidade de formar mais profissionais no país e de conseguir maneiras de que atendam em áreas mais distantes, em um discurso muito semelhante ao adotado por Dilma e por seu ministro da Saúde, Alexandre Padilha. "Sobretudo nesses povoados pequenos, em que ninguém quer ir, estou seguro de que, se não houver médicos uruguaios, haverá cubanos. É preciso atender o povo."

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