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Presidente eleita acha inadmissível silêncio do Brasil

Diversas vezes durante o governo Lula a presidente-eleita Dilma Rousseff manifestou seu desconforto com a omissão do Brasil em relação a desrespeito aos direitos humanos em países como Irã e Cuba. Em reportagem publicada no Estado no dia 28 de novembro, interlocutores revelaram que Dilma classifica a abordagem de "equivocada" e "desgaste desnecessário".

Bastidores: Patrícia Campos Mello, O Estado de S.Paulo

07 de dezembro de 2010 | 00h00

Entre assessores próximos à futura presidente, a percepção é de que "a aproximação com o Irã pode ter custado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva o Nobel da Paz" por seu empenho em reduzir a pobreza.

Dilma endossa a maior participação do Brasil em temas de destaque geopolítico mundial e apoiou a tentativa anunciada em maio de mediar um acordo com o Irã para evitar sanções da ONU contra o programa nuclear iraniano. Mas a presidente eleita acha "inadmissível" que o País fique quieto diante de abusos contra mulheres no Irã e integrantes da oposição. Para ela, associar-se a um regime que apedreja mulheres foi um "enorme erro". Um dos motivos para a não manutenção do chanceler Celso Amorim no cargo seria sua atuação no caso do Irã - embora o chanceler estivesse inteiramente sintonizado com o presidente Lula nessa questão, com Dilma, não houve entendimento.

O Itamaraty tradicionalmente não vota a favor de resoluções de condenação a desrespeito a direitos humanos na ONU. Não é de hoje que o ministério considera contraproducente fazer essas acusações, e por isso mantém posição de não interferir na soberania e países como Irã e Sudão, por exemplo. Mas no governo Lula, essa tendência se intensificou. Agora, com Dilma, o Itamaraty terá de se ajustar à sensibilidade da nova presidente.

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