Presidente eleita desiste de participar da cúpula da Unasul

Dilma acompanharia Lula na Guiana, mas sua assessoria diz que ela está concentrada na formação do governo

Denise Chrispim Marin ENVIADA ESPECIAL / GEORGETOWN, O Estado de S.Paulo

26 Novembro 2010 | 00h00

A presidente eleita do Brasil, Dilma Rousseff, decidiu não participar do jantar de abertura da reunião de cúpula da União de Nações Sul-Americanas na noite de ontem. A expectativa de sua vinda fora alimentada pela informação de sua assessoria de imprensa, na última quarta-feira. Dilma acompanharia o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O momento era visto pela diplomacia brasileira como altamente adequado para sua apresentação, sem preferências, aos líderes da região.

Porém, a assessoria de Dilma voltou a descartar sua presença no encontro em Georgetown na noite da mesma quarta-feira, sob o argumento de que a presidente eleita estaria concentrada na formação do núcleo duro de seu governo. Ontem, várias delegações foram tomadas de surpresa. Diplomatas argentinos e uruguaios tentaram minimizar o impacto dessa ausência alegando que não faltará oportunidades para encontros formais depois de 1.º de janeiro.

Cauteloso, o chanceler boliviano David Choquehuanca afirmou ao Estado que teria sido benéfica a presença de Dilma, mas que os presidentes têm suas agendas internas a cumprir e, às vezes, não a podem postergar. O presidente da Bolívia, Evo Morales, não estará na reunião hoje porque teve o joelho operado e está em repouso.

Dilma Rousseff, em princípio, não deverá expor-se a viagens internacionais neste período que antecede sua posse. A exceção prevista é a reunião de cúpula do Mercosul, em Foz de Iguaçu, em 17 de dezembro. Várias delegações apontaram ontem sua intenção de vê-la na Cúpula Ibero-Americana, na semana que vem em Mar Del Plata (Argentina). Mas nem mesmo o presidente Lula deverá comparecer a esse encontro.

A assessoria de imprensa já anunciou que ela tampouco visitará o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, em Washington. Obama a havia convidado no dia seguinte à sua eleição, quando telefonou para cumprimentá-la. A diplomacia americana reiterou sua intenção de promover o encontro em outras ocasiões.

Segundo Choquehuanca, essa reação de Dilma foi "audaz". "Nossos líderes têm de ser audazes. A falta de audácia de Obama provocou sua derrota na eleição (para o Congresso, em 2 de novembro) e o deixou debilitado", afirmou o chanceler.

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