Presidente enfrenta partidos, mas teste será com o mínimo

A presidente Dilma Rousseff ficou furiosa com os movimentos de Eduardo Cunha, que foi para a imprensa reclamar de jogo sujo por parte de setores do PT "incrustados no governo" e fez ameaças veladas ao afirmar que "quem com ferro fere, com ferro será ferido".

Vera Rosa, O Estado de S.Paulo

04 de fevereiro de 2011 | 00h00

Nos dois últimos dias, o ministro da Casa Civil, Antonio Palocci, atuou como bombeiro para jogar água na crise. Certo de que o PMDB não sairia perdendo, o líder do partido na Câmara, Henrique Eduardo Alves, apresentou uma lista de nomes para o comando de Furnas. Todos apadrinhados pela bancada do PMDB no Rio, coordenada por Cunha.

"Não aceito. Vou dizer de novo: não, não e não!", insistiu Dilma. Ela também reclamou da entrevista publicada pelo Estado na qual Cunha disse não ter nada contra mudanças em Furnas, desde que houvesse uma espécie de compensação. "O PMDB não vai ficar com Furnas? Tudo bem, vai dar Chesf, outra coisa. Acha que o presidente é feio? Troca. Acha que tem de ser um cara homossexual? Vamos conversar. Dentro de critério político aceitável. Sem sacanagem", comentou Cunha.

Dilma não admite disputas pela mídia nem ter a autoridade questionada. Resultado: já avisou a mais de um interlocutor que vai tirar todos os cargos sob controle de Cunha. Nem Michel Temer conseguiu a pacificação.

Não é só o PMDB, porém, que está desgostoso com a montagem do segundo escalão. O PC do B não aceita que o ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles comande a Autoridade Pública Olímpica. Dirigentes comunistas reclamam que não foram sequer consultados e atribuem a escolha de Meirelles a Palocci. Agora, o PC do B reivindica assento na Secretaria da Juventude, abrigada na Secretaria-Geral da Presidência.

Na outra ponta, embora o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), esteja bem representado no ministério, a bancada do PSB se queixa de não ter emplacado nenhum nome. Uma base aliada insatisfeita pode dar muita dor de cabeça ao governo no Congresso. O primeiro teste será na votação do novo salário mínimo.

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