Presidente ''gerentona'' entusiasma executivas

Responsáveis por empresas e resultados, elas torcem pelo estilo gerencial de Dilma

Luciana Nunes Leal, O Estado de S.Paulo

23 de janeiro de 2011 | 00h00

Os modos de executiva da iniciativa privada da presidente Dilma Rousseff, demonstrados em três semanas no poder, não livraram o governo das disputas de cargos nem da crise no Enem, mas executivas de grandes empresas e especialistas em administração ouvidas pelo Estado aprovam a estreia da presidente e sua intenção de imprimir características da gestão privada no poder público. Todas admitem, porém, que não há como ignorar as demandas políticas.

Qualidade, velocidade e ética são conceitos que Luiza Helena Trajano, superintendente do Magazine Luiza, uma das maiores redes de varejo nacionais, gostaria de ver aplicados na administração federal. "As reuniões têm de ser objetivas, focadas em poucos assuntos. E é preciso cobrar as pendências que ficaram da reunião anterior, além de fixar prazo. Sem cronograma não há comprometimento", diz a empresária. "Acredito muito em gestão e organização. A presidente terá de conciliar com o jogo político, que é muito pesado. Ela pode fazer as coisas acontecerem com mais velocidade".

Na primeira reunião ministerial, no dia 14, a presidente reconheceu a dificuldade de um diálogo objetivo quando 37 ministros aguardam a vez de falar. Formalizou a divisão do primeiro escalão em quatro grupos de gestão e deu prazo de 20 dias para cada pasta apresentar um plano de corte de gastos. Na véspera, outra experiência. Discutindo no Rio de Janeiro medidas contra enchentes, ela viu a conversa caminhar para medidas de longo prazo e interrompeu: "Neste momento, estou preocupada com o que as pessoas estão precisando. Retroescavadeiras? Helicópteros? Barracas?"

Meritocracia. "Na iniciativa privada, você fixa metas e todos têm de se comprometer com o resultado. E os 37 ministros devem seguir esse modelo. Não pode a presidente imprimir um formato e cada ministro ter sua forma própria de gestão", diz Sônia Hess, presidente da Dudalina, maior fabricante de camisas masculinas do País. "O que há de mais moderno é a meritocracia. Nossa costureira sabe qual é a meta dela e tem participação nos resultados. No poder público, o servidor pode ter bônus por metas alcançadas", sugere Sônia.

No caso da administração federal, a presidente da Lupo, líder do mercado nacional de meias, Liliana Aufiero, aponta medidas de austeridade como fundamentais. "Li que os ministros não vão poder pegar jatinhos da FAB para ir para casa no fim de semana. É uma medida necessária para acabar com a lambança. A conferir", diz a executiva.

Nessa direção, Dilma anunciou há dias a criação de um Fórum de Gestão Competitiva, para o qual convidou o empresário Jorge Gerdau Johannpeter. Além disso, tem estimulado a contratação de instituições especializadas em diagnóstico e orientação de melhorias gerenciais. E já definiu como primeira tarefa desse projeto mudar o funcionamento da Fundação Nacional de Saúde (Funasa).

PADRÃO DILMA

Meritocracia

A avaliação da carreira e a atribuição de recompensas a partir de resultados, ou seja, a meritocracia, é um dos pilares da organização na economia privada. Adotá-la no serviço público é um desafio

Gestão competitiva

Para dar agilidade aos projetos governamentais, a presidente anunciou a criação de um Conselho de Gestão Competitiva, a ser comandado pelo empresário Jorge Gerdau Johanpetter.

Entre suas tarefas, estabelecer formas de acompanhar os prazos e os custos

Reuniões ministeriais

A presidente não gostou do que viu na primeira reunião ministerial, com 37 ministros "na fila" para falar. Já decidiu dividir as atividades do governo em grupos ligados a áreas

comuns, para encurtar as discussões e poder cobrar mais rapidez

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