Presidente impõe mudança de hábitos no Planalto

A presidente Dilma Rousseff não tem dado muito espaço para o funcionamento da "máquina de fazer presidentes", como o Planalto é definido há duas décadas nas rodas de poder. Sucessora de presidentes que marcaram época pela intelectualidade, capacidade de conversar com multidões ou mesmo por gestos caricaturais, ela reduziu o número de solenidades públicas e audiências de grande repercussão.

João Domingos e Leonencio Nossa, O Estado de S.Paulo

10 Abril 2011 | 00h00

Dilma recebeu artistas internacionais, como a colombiana Shakira e o irlandês Bono Vox, líder do grupo U2, mas esvaziou solenidades que costumam ser usadas pelos marqueteiros do governo. No dia 16 de fevereiro, por exemplo, os meios de comunicação não tiveram acesso à cerimônia de anúncio do PAC da Mobilidade Urbana. No tempo de Lula, a solenidade teria sido transformada numa festa.

Diferentemente de Fernando Collor, Fernando Henrique e Lula, a presidente diminuiu a força da área de imprensa e comunicação social do governo. Não há ministros e secretários influentes e de livre circulação em reuniões estratégicas. Desde que assumiu, orientou os ministros a fugirem dos holofotes. Quem desobedeceu sentiu as consequências. Favorito para o STF, o advogado-geral da União, Luís Inácio Adams, deu entrevista na qual se comportou como futuro ministro. Dilma escolheu para a vaga Luiz Fux. O advogado Pedro Abramovay, convidado para a Secretaria Nacional de Justiça, defendeu publicamente penas menores para pequenos traficantes. Nem chegou a assumir.

Em três meses de mandato, Dilma transformou o Planalto na sede de uma mostra de 80 artistas plásticas brasileiras, aberta ao público - conseguiu trazer para a exposição o quadro Abaporu, de Tarsila do Amaral. Na noite do dia 2, foi ver uma peça de teatro no CCBB de Brasília, acompanhada de um mínimo de seguranças.

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