Wilson Pedrosa/AE-26/7/2010
Wilson Pedrosa/AE-26/7/2010

Presidente impôs ''varredura'' no setor elétrico

Dilma, irritada com o loteamento, já teria acertado com Lobão uma revisão dos postos[br]estratégicos das estatais

Karla Mendes e João Bosco Rabello, O Estado de S.Paulo

17 de janeiro de 2011 | 00h00

Insatisfeita com o loteamento de cargos nas estatais do setor elétrico, a presidente Dilma Rousseff já acertou com o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, que fará uma varredura nos postos estratégicos das empresas do setor.

Uma fonte do PT revelou ao Estado que a presidente eleita, quando convidou Lobão para retornar à pasta, impôs a condição de que fosse feita uma reorganização generalizada no setor, que é bastante estratégico para garantir o fornecimento de energia elétrica para sustentar o crescimento econômico brasileiro. E que ele aceitou essa condição, mesmo sabendo que o PMDB corria o risco de perder postos importantes. "Ela ajustou isso como Lobão. Ela vai acompanhar o setor elétrico com mão de ferro", afirmou a fonte.

Conhecida como "dama de ferro" do setor elétrico, por ter adotado um novo modelo na época em que foi ministra de Minas e Energia, no primeiro mandato de Lula, Lobão sabia que, quando Dilma assumisse a Presidência, essa seria uma área prioritária.

Tanto que o cargo mais importante das estatais, a presidência da Eletrobrás, terá outro ocupante. Sai de cena José Antonio Muniz Lopes Filho, protegido do senador José Sarney (PMDB-AP), e entra Flávio Decat, um nome ligado à presidente. Quando Lopes Filho foi indicado no governo Lula, Dilma defendia Decat para o posto, mas acabou perdendo a disputa para o PMDB. "Ela teve que abrir mão e não engoliu essa até hoje", confidenciou a fonte. Agora como presidente, Dilma foi irredutível, impôs sua vontade e o PMDB acabou perdendo o páreo da Eletrobrás.

Experiência. Dilma escolheu Decat em função de sua larga experiência no setor elétrico. Ele já atuou na própria Eletrobrás, como diretor de distribuição da holding. Decat já ocupou a presidência da Eletronuclear e da Companhia Energética do Piauí (Cepisa). Hoje, é vice-presidente corporativo de distribuição do grupo Rede Energia, um dos maiores do País que atua em Estados como São Paulo e Minas.

A presidente quer que a estatal seja uma holding "de verdade", com governança similar à da Petrobrás. É um entre os muitos objetivos de gestão incompatíveis com o loteamento. No caso, bem mais grave, porque implica mexer na turma do PMDB liderada por Sarney, encastelada há anos em postos-chave. Fontes do governo revelaram que Sarney já deu sinais de estar incomodado com isso. Tanto que, no último dia de Lula na Presidência, levou suas apreensões até ele.

Dilma até admite uma indicação política, mas só aceitará nomes com profundo conhecimento técnico. Essa é uma diferença crucial em relação a Lula, que, segundo esse interlocutor, admitia indicações se vislumbrasse algum ganho político no Congresso, mesmo se o escolhido não entendesse do setor.

Dilma também travará uma disputa forte pelas diretorias de Planejamento, Engenharia e de Operações e suas respectivas superintendências não só da holding, mas também das subsidiárias, que hoje estão nas mãos do PMDB, em sua maioria.

As negociações foram suspensas até fevereiro, quando serão definidas as presidências da Câmara e do Senado. Por isso, não foram definidos nomes para a gestão das empresas sob o guarda-chuva da Eletrobrás, mas a reviravolta está declarada.

Furnas é uma das prioridades. A Petrobrás não passará por mudanças radicais agora, mas no médio prazo também terá reestruturação. A própria permanência de José Sergio Gabrielli na presidência é uma questão de tempo, garante o interlocutor.

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