Presidente ordena a ministros que atendam parlamentares

Segundo Carvalho, que participou de reunião com Dilma e Lula na quarta, governo tem de fazer seu papel de ''cultivar a relação''

Vera Rosa / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

12 Agosto 2011 | 00h00

Preocupada com a rebelião na base aliada, a presidente Dilma Rousseff cobrou agilidade dos ministros no atendimento de deputados e senadores e na liberação de emendas parlamentares. Até o fim do mês o governo empenhará emendas para obras no valor de R$ 1 bilhão e na semana que vem sairão outros R$ 150 milhões da rubrica "restos a pagar".

"Nós precisamos governar", disse o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho. "A recomendação é para que os ministros abram espaço na agenda e deem atenção aos parlamentares. Vamos fazer nosso papel de cultivar a relação."

Carvalho participou da conversa entre Dilma e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na noite de quarta-feira, em São Paulo. Não quis, porém, comentar o teor da reunião, que também contou com a presença do ex-ministro Luiz Dulci.

O Estado apurou que Lula aconselhou Dilma a não comprar briga com o PMDB do vice Michel Temer e a promover a "repactuação" com os aliados para evitar uma crise de governabilidade. Insatisfeitos com ações que passam pela operação da Polícia Federal no Ministério do Turismo, a faxina nos Transportes, o atraso nas nomeações e na liberação de recursos do Orçamento, governistas de vários partidos chegaram a obstruir votações de ontem na Câmara.

Dilma vai marcar nova rodada de conversa com o PMDB, injuriado depois da devassa no Ministério do Turismo, comandado pelo partido. A ação da PF resultou na prisão de 35 pessoas, entre elas o secretário executivo do ministério, Frederico Silva Costa, o ex-deputado Colbert Martins, do PMDB baiano, e o ex-presidente da Embratur Mário Moysés, que trabalhou com a senadora Marta Suplicy (PT-SP).

"No PMDB surgiu a impressão de que aquela operação da Polícia Federal ocorreu por deliberação nossa, mas não é verdade. Soubemos junto com todo mundo. Então, se houve injustiça, o PT é tão vítima quanto o PMDB", argumentou Carvalho, numa referência à prisão de Moysés, considerado homem de confiança no PT. "Nós não temos interesse nessa pauta. Queremos manter o diálogo aberto com nossos aliados."

Cronograma. Na tentativa de contornar o mal-estar na base de sustentação do governo, a ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, apresentará, na próxima semana, um cronograma para empenho de mais emendas, ao longo do segundo semestre. Para evitar problemas em meio à crise financeira mundial, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, determinou o corte de gastos e pediu a deputados e senadores que não aprovem novas despesas no Congresso.

Mesmo assim, Ideli negocia com Mantega os valores para fechar o cronograma das emendas. A ideia é que ao menos mais uma parcela de R$ 1 bilhão possa ser autorizada até dezembro, dependendo do cenário econômico.

Dilma não quer correr o risco de ver a Desvinculação das Receitas da União (DRU) caducar. A proposta que estica a validade da DRU por mais quatro anos vence em dezembro. Se integrantes da base cumprirem a ameaça de dar o troco no Planalto e o Congresso não renovar a DRU, o governo perderá o instrumento pelo qual pode manejar livremente 20% dos recursos do Orçamento.

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