Presidente politiza caso, ataca Marina

Para a candidata do PV, quebra de sigilo de tucanos é um fato grave e não pode ser tratada como uma questão meramente política

Gustavo Uribe, O Estado de S.Paulo

09 de setembro de 2010 | 00h00

A candidata do PV à Presidência, Marina Silva, comentou ontem as declarações dadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a quebra de sigilo fiscal de pessoas ligadas ao PSDB durante o horário eleitoral da presidenciável Dilma Rousseff (PT). Indagada se o discurso de Lula contribuiu com o debate eleitoral, Marina respondeu: "Relevar o fato e levar apenas para o terreno político não contribui. Há um fato grave e não se pode achar que é uma questão meramente política."

Na noite de anteontem, o presidente ocupou 2min15s da propaganda de 10 minutos da candidata do PT para defendê-la das acusações de seu envolvimento na quebra de sigilo dos tucanos. Lula disse que a oposição tenta atingir a petista com "mentiras e calúnias" por ela ser mulher.

Ontem, durante visita à sede da Fundação Abrinq (Associação Brasileira dos Fabricantes de Brinquedos), em São Paulo, Marina voltou a defender punição rigorosa aos envolvidos no episódio e criticou os adversários por tentarem tratar a questão como "banal e corriqueira". "É uma violação de direitos o que está acontecendo no Brasil. É grave e não se pode ficar apenas politizando o fato como forma de minimizar esse acontecimento."

Para Marina, quem foi atingido pela violação tem o direito de reclamar, mas ponderou que a queixa não deve ser individual. "Tem de ser uma queixa institucional", afirmou. Marina voltou a dizer que a violação de dados representa "um descontrole generalizado" na Receita Federal. E acusou a gestão pública de "estar com pés de barro". "Se nos lugares mais sensíveis acontece esse tipo de coisa, imagina o que pode acontecer em outras situações", questionou.

Vale-tudo. Ao comentar o caso da quebra de sigilo fiscal de Verônica Serra, filha do candidato do PSDB, José Serra, a candidata condenou a tentativa de levar a disputa eleitoral para uma espécie de "vale-tudo" político. Para Marina, não cabe no debate eleitoral "pegadinha ou casca de banana". "É para discutir as coisas com seriedade."

A candidata evitou avaliar como "baixaria" a discussão em torno do episódio do vazamento de informações sigilosas, como disse o presidente Lula ao atacar a oposição, na noite de anteontem. "Quando a gente rotula as coisas, é uma forma de parar a discussão", afirmou.

Infância. Antes de comentar o episódio, Marina discursou na Fundação Abrinq. A candidata compareceu à sede da entidade para assinar termo de compromisso no qual, se eleita, assume o compromisso de reduzir as taxas de mortalidade infantil e materna, melhorar o ensino público e proteger as crianças de qualquer forma de abuso.

Ao lado do candidato do PV ao Senado, Ricardo Young, a candidata assinou o compromisso, firmado também pelos presidenciáveis Serra e Dilma. "Fiz questão de que o Young fosse testemunha", afirmou Marina, referindo-se ao papel do correligionário como um dos que colaboraram para a criação da entidade.

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