Presidente reclama de ''tantas exigências e fiscalização''

Ele defende mais agilidade nas liberações de projetos e diz que fica irritado com ''emperramento burocrático''

, O Estadao de S.Paulo

13 de março de 2010 | 00h00

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que se irrita ao decidir "alguma coisa" e isso não acontecer. "Muitas vezes todo mundo está de acordo e, de repente, você percebe que há um emperramento burocrático", afirmou em entrevista à Rádio Banda B, após desembarcar no Aeroporto Afonso Pena. "São tantas instituições, são tantas as entidades de fiscalização, há tantas exigências para fazer uma obra", reclamou. Por isso, segundo ele, leva-se três anos para começar um projeto.

O presidente desconsiderou a suspeita de superfaturamento, apontada em inspeções do Tribunal de Contas da União em obra inaugurada por ele ontem. "Sou favorável a toda e qualquer fiscalização, que fosse feita 24 horas, via satélite, mas acontece que muitas vezes as pessoas levantam suspeita, paralisam a obra e, só depois, chegam à conclusão de que está correta", declarou. "Quem paga o prejuízo da obra parada? Não aparece. O povo brasileiro paga porque não tem a obra."

O presidente disse ser preciso encontrar mecanismos que tornem mais ágeis as liberações. "Quero ver se dou essa contribuição quando deixar a Presidência", afirmou. "Essa é uma questão que não adianta mandar para o Congresso, porque é ano eleitoral." Para ele, é um problema crônico. "Temos uma máquina de execução mal remunerada e temos uma máquina de fiscalização altamente modernizada. Há um descompasso. É preciso um ajuste para as obras poderem andar."

No caso de acusações sobre irregularidades em obras, Lula reiterou que é preciso haver responsabilidade. "É preciso que as pessoas façam as coisas com prova, senão atravanca. Não pode parar uma obra a não ser que tenha prova contundente de alguma coisa altamente errada. Daí manda logo para a cadeia."

Acompanhado da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, Lula destacou que o Paraná é um Estado que deve ser visitado por quem quer disputar a Presidência. "Dilma, se ela for a candidata, porque vai definir em junho, o Paraná é um Estado que tem que priorizar nas conversas", orientou. "Vamos seguir esse caminho de brasileiros construindo o Brasil que o governo do presidente Lula construiu", discursou Dilma para diretores e funcionários da Positivo Informática.

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