Presidente relaciona escândalo do mensalão a ''tentativa de golpe''

Lula diz que oposição só não o derrubou durante crise política de 2005 porque ''tinha medo da reação do povo''

Tânia Monteiro, O Estado de S.Paulo

03 de dezembro de 2010 | 00h00

Por dois momentos, ontem, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou como tentativa de "golpe" a crise política de 2005, que ficou conhecida como o "escândalo do mensalão".

No discurso da última reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social no seu governo, Lula agradeceu a todos o apoio naquele momento de turbulência política: "No auge da crise de 2005, eu nunca tinha falado isso, mas naquela tentativa de golpe, no Brasil, vocês permaneceram no Conselho. Vocês não misturaram o trabalho que estavam fazendo para o Brasil."

Mais cedo, em entrevista ontem às rádios comunitárias no Palácio do Planalto, o presidente já comparara a crise uma tentativa de golpe. Segundo Lula, ele só não foi afastado do poder porque a oposição tinha medo do que poderia acontecer, pela sua relação com o povo.

"Tentaram fazer comigo o que vocês viram em 2005 e só não foram mais adiante porque eles tinham medo da minha relação com a sociedade brasileira e eles não sabiam o que poderia acontecer neste País", disse Lula, que citou o caso do presidente deposto João Goulart, em 1964, como exemplo de golpe tentado contra ele.

A menos de um mês de deixar o cargo, Lula diz que não há mais o mesmo clima que marcou seu primeiro mandato. Ele comemorou a nova correlação de forças do governo no Congresso. "Melhor do que no governo passado", disse ele, referindo-se ao seu próprio governo. Segundo Lula, os novos senadores, têm "cabeças mais arejadas" e isso facilitará o governo Dilma.

Ao encerrar a entrevista, Lula disse que precisava "desencarnar" da Presidência da República e, fora dela, terá mais liberdade de se pronunciar: "Eu, sem ser presidente da República, vou poder fazer discurso que eu não faria como presidente da República. Portanto, como presidente, eu não sou o Lula, sou uma instituição. Eu tenho de me comportar, mas como cidadão brasileiro, eu tenho muito mais liberdade para falar as coisas. O dado concreto é o seguinte: não pensem que vão se livrar de mim, porque vamos estar juntos em algum lugar desse País."

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