Presídio do Complexo Frei Caneca é demolido no Rio

O presídio Nelson Hungria, no Complexo Penitenciário da Frei Caneca, centro do Rio, começou a ser demolido hoje, a partir de um convênio assinado entre a prefeitura e o governo do Estado. A previsão é de que no máximo em um ano todos os detentos de outras unidades tenham sido transferidos e o complexo, que ocupa uma área de 64 mil metros quadrados, seja implodido. No local, a prefeitura vai construir um conjunto residencial com 700 apartamentos.Bombeiros e policiais civis e militares terão prioridade na compra dos imóveis. O prefeito César Maia disse hoje não acreditar que a proximidade com o Morro do São Carlos seja um problema para os futuros moradores. "Bairros nobres como Copacabana (zona sul) também são cercados de favelas e ninguém deixa de morar", disse ele, em discurso durante a assinatura do convênio.Maia acredita que a região será valorizada. O conjunto deverá ter prédios de quatro a nove andares, com áreas de lazer, cinema, teatro, banco, escola, creche, farmácia e um mercado. A governadora Rosinha Matheus e o secretário da Segurança Pública, Anthony Garotinho, não quiseram dar entrevista após a solenidade. Garotinho afirmou durante discurso que "há 100 dias não se tem notícia de ligações recebidas ou saídas de Bangu 1", referindo-se ao sistema que bloqueia o sinal de celulares no presídio.O acordo com o governo do Estado prevê o repasse de R$ 100 milhões pela prefeitura para a construção de cinco presídios e dois hospitais penitenciários, além de investimentos em segurança pública. Há uma cláusula que proíbe o Estado de construir os presídios no município do Rio - deverão ser erguidos em Campos (dois), no Norte Fluminense; Casimiro de Abreu (dois), na Região dos Lagos, e Japeri (um), na Baixada Fluminense. Os dois hospitais serão instalados na zona oeste da cidade.As outras unidades do complexo da Frei Caneca, entre elas o presídio Hélio Gomes e as penitenciárias Lemos de Brito e Milton Dias Moreira, ainda em funcionamento com cerca de três mil presos, deverão ser desocupadas gradativamente, à medida em que os novos presídios fiquem prontos.As obras para a construção do complexo penitenciário, o único no centro do Rio, foram iniciadas em 1833. O local já foi um reduto dos chefes da Falange Vermelha (atual Comando Vermelho), que controlavam o presídio antes da construção de Bangu I, na zona oeste. Durante a ditadura militar, o complexo abrigou presos políticos, como Nelson Rodrigues Filho.

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