Presídio onde chinês morreu terá nova perícia

O delegado Marcelo Fernandes, que investiga as circunstâncias da morte do comerciante chinês Chan Kim Chang, determinou nova perícia nas instalações do presídio Ary Franco, onde ele teria sido espancado por agentes penitenciários. Fernandes ouviu nesta segunda-feira 12 companheiros de cela de Chang. O delegado acredita que a análise de um cano d´água, que foi retirado da parede da sala de triagem, supostamente no dia 26 de agosto, quando o comerciante chegou ao presídio, pode ajudar a esclarecer o que aconteceu.O chinês foi levado para a sala já machucado, depois de passar pela sala de disciplina. Segundo os guardas que estavam de plantão e são acusados de agredir o comerciante, o cano foi arrancado por Chang durante suposto ataque de fúria - durante o qual ele teria se autolesionado. O delegado quer saber em que condições o cano foi retirado e se Chang poderia tê-lo feito mesmo estando debilitado, como provou foto feita por um detento e divulgada na semana passada. Testemunhas, que tiveram a identidade preservada, confirmaram que Chang foi torturado por três agentes, que foram auxiliados por três presos. Segundo os relatos, ele foi surrado porque se recusou a dar a senha de um cartão bancário.O delegado Marcelo Fernandes também quer ouvir depoimentos dos policiais militares que faziam a segurança externa no Ary Franco quando Chang chegou, a fim de apurar qual era seu estado físico. Ele pode ter sido agredido também por policiais federais antes de dar entrada no presídio.Sob acusação de evasão de divisas, Chang foi detido no aeroporto internacional Tom Jobim, no Rio, quando tentava sair do País com US$ 30 mil. Os agentes Denis Gonçalves Monsores, Everson Azevedo da Mota, Carlos Alberto de Souza Rodrigues, Ricardo Wagner Sarmento Alves, Ricardo Duarte Pires Valério e Raul Broglio Júnior foram presos por causa desses testemunhos. Eles estão detidos desde o último dia 6.

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