Presídios do Rio separam facções criminosas

Para evitar que uma rebelião como a ocorrida no domingo em São Paulo aconteça nos presídios do Rio, as autoridades fluminenses adotaram a política de separar as facções criminosas em galerias distintas das unidades penitenciárias. Nas fichas dos presos no Departamento de Sistema Penal do Estado (Desipe) consta o nome do grupo ao qual cada condenado pertence: Comando Vermelho, Terceiro Comando, Amigo dos Amigos (ADA) ou Comando Vermelho Jovem.A origem dessas facções remonta à década de 70 e ao presídio da Ilha Grande. Uma história corrente entre os especialistas dá conta de que o primeiro grupo criminoso, a Falange Vermelha, surgiu no presídio quando os presos políticos começaram a dividir espaço com os presos comuns e lhes ensinar algumas noções de organização política. Esse grupo deu origem ao Comando Vermelho, que ganhou força no início da década de 80. O Terceiro Comando foi criado na mesma época, entre aqueles que se opunham a essas lideranças. "As facções funcionam nas unidades como os traficantes nas favelas, no vácuo do poder do estado, distribuindo benesses e sobrevivendo a custa da corrupção do sistema", explicou a socióloga Julita Lemgruber, ex-diretora-geral do Desipe. Na avaliação de Julita, a separação das facções dentro dos presídios gera um clima menos tenso e essa seria uma das explicações para o fato de não haver rebeliões no Rio.Para o deputado estadual Helio Luz (PT), ex-chefe da Polícia Civil, no entanto, a divisão mostra que o estado está nas mãos das lideranças criminosas. "A situação do Rio é muito pior do que a de São Paulo. Nos últimos 15 anos, quem manda no sistema penitenciário aqui são os presos", avaliou Luz. "Em São Paulo, a rebelião só ocorreu porque o estado separou as lideranças, mostrando que elas não têm o controle. Aqui não há rebelião porque estão juntas, como querem."

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