Preso acusado da chacina de Guaíra

Suposto mentor do massacre foi detido em Rosana, quando tentava fugir para São Paulo

Evandro Fadel e Bruno Paes Manso, O Estadao de S.Paulo

16 Outubro 2008 | 00h00

A polícia prendeu ontem em Rosana, no interior de São Paulo (a 780 km da capital), Jair Corrêa, de 52 anos, suspeito de ser o mentor e principal executor de 15 pessoas no dia 22 de setembro, em Guaíra, na maior chacina da história do Paraná. As buscas continuam para encontrar outros três acusados: Ademar Fernando Luiz e os sobrinhos de Corrêa, Diego Alexandre Honória e Hedner Rogério Alves. Segundo o secretário da Segurança Pública do Paraná, Luiz Fernando Delazari, informalmente Corrêa teria assumido a co-autoria na chacina, alegando que era uma vingança pela morte de seu enteado, Dirceu Pereira de França, ocorrida cerca de 20 dias antes da tragédia. França teria sido assassinado por integrantes da quadrilha de Jossimar Marques Soares, o Polaco, um dos mortos na chacina, por causa de uma dívida de R$ 4 mil. Em entrevista à imprensa, porém, Corrêa negou que tivesse qualquer participação na chacina. Delazari disse que provavelmente os acusados se separaram logo depois das mortes. Corrêa teria ido até a região de Itaquiraí (MS), permanecendo escondido durante todo o tempo no meio da mata fechada, recebendo ajuda de parentes. "Ele é do mato e tem facilidade para viver ali", diz o secretário. Na madrugada de ontem, teria deixado o local, seguindo em uma pequena canoa pelo Rio Paraná, na direção de Rosana, onde pretendia tomar um ônibus para São Paulo. "Ia se esconder no meio de 11 milhões de pessoas." No entanto, depois de oito horas de viagem pelo rio, foi interceptado no meio do mato pelos policiais, que ficaram acampados ali por três dias. "Não deu nem tempo de reagir", afirmou Delazari. Caso os policiais não tivessem sucesso nessa investida, outra equipe estava postada no Terminal da Barra Funda, em São Paulo, onde ele desembarcaria. Na capital paulista, seria recepcionado pela mulher e por um filho. Segundo o secretário, as informações de que os suspeitos da chacina teriam passado pelo Paraguai não se confirmaram. Delazari insistiu ontem que as mortes foram um "caso isolado". Segundo ele, desde o início do ano houve 13 homicídios em Guaíra, que fica na fronteira com o Paraguai, um deles depois da chacina. "A chacina foi fruto de uma mente e de um comportamento criminosos." Ele acredita que o estado de embriaguez "deve ter potencializado o instinto criminoso". De baixa estatura e magro, Corrêa chegou a Curitiba em um avião do governo do Estado e foi apresentado no 1º Distrito Policial. Negou que tivesse participação na chacina. Disse que mora em Guaíra, onde é pescador profissional. Segundo ele, seu enteado foi morto por duas pessoas, identificadas por ele como Nel (Manoel Pascoal da Silva, também morto) e Nelsinho. Segundo Corrêa, eram da quadrilha de Polaco. "Eram companheiros." O acusado disse também que não estava na chácara no momento da chacina e ficou sabendo de tudo por meio de um radinho. Quando ouviu que era suspeito, decidiu fugir - no sábado seguinte à chacina, ocorrida em uma segunda-feira. "Até minha família fugiu. Todo mundo queria matá-la", afirmou. "A casa está toda abandonada lá, com tudo dentro. Foi colocado um cachorro no quintal e eu saí." Ele confirmou que pretendia ir para São Paulo. Corrêa já foi condenado por tráfico há cerca de 18 anos, mas nega envolvimento no crime. Segundo ele, naquela ocasião, cuidava apenas de uma draga de garimpo, quando o dono foi preso com a "mercadoria".

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.