Preso acusado da morte de anestesista em SP

Tudo indica que o assassinato do médico anestesista Luiz Fernando Salgado, de 36 anos, encontrado morto em sua casa, na Rua Palacete das Águias, na Vila Santa Catarina, na zona sul de São Paulo, na tarde do último domingo, tenha sido premeditado pelo técnico em computação Rogério Oliveira Magalhães, de 24 anos, preso terça-feira por policiais do Departamento de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP).Na residência de Magalhães foram encontrados vários objetos eletrônicos roubados de Salgado e um bloco de papel com um mapa da disposição dos cômodos da casa do médico. O desenho ainda indicava a localização dos objetos a serem roubados e seus respectivos valores para a venda.Além de Magalhães, também foi detido o repositor Marcos Aurélio Vieira Alves, de 27 anos, acusado de ter emprestado ao técnico o revólver calibre 38 usado no crime. Segundo a polícia, o repositor teria fornecido a arma ao rapaz, sabendo o que ele iria fazer com ela. "Depois de ter cometido o assassinato, Magalhães contou a ele o que havia feito, e Alves permaneceu omisso", disse Sueli Aparecida Neute, delegada titular da equipe C - Sul do DHPP, responsável pela prisão da dupla.Os policiais chegaram até o técnico por meio de investigações. Eles o surpreenderam perto de uma quadra esportiva no Jabaquara. O rapaz, então, levou a polícia até a sua casa, na Rua da Porcelana, na Vila do Encontro, também na zona sul. Lá estavam a televisão, o videocassete, o computador, dois aparelhos de som, uma impressora, um telefone celular e uma agenda eletrônica que pertenciam ao anestesista.Ali, também foram encontrados seus talões de cheques e cartões de crédito. Sem ter como se explicar, o técnico acabou abrindo o jogo: disse que conheceu o médico havia um mês por meio da internet e chegou a visitá-lo umas três vezes antes de resolver assaltá-lo e matá-lo. O rapaz afirmou ainda que havia usado um revólver emprestado pelo repositor e deu seu endereço à polícia.Na residência de Alves, um barraco na zona norte, foi achada a arma, escondida entre umas cercas de madeira. Primeiro, o rapaz negou que conhecesse Magalhães, mas depois acabou admitindo que havia emprestado o revólver algumas vezes para ele. Os dois foram presos por latrocínio (roubo seguido de morte).De acordo com o Código Penal Brasileiro, podem pegar de 20 a 30 anos de cadeia. Na delegacia, a raiva de Alves em relação à Magalhães era visível. Mesmo quieto diante da reportagem, o repositor não hesitou em dar uma bronca no técnico: "A doutora falou que vou pegar 20 anos de cadeia. Tudo por culpa sua, por causa disso que você fez aí."O corpo do anestesista foi encontrado no último domingo por sua mãe e seu irmão. Os dois foram até a sua casa para saber o motivo do seu atrasado para o tradicional almoço em família. No quarto, o médico estava nu, com um tiro na cabeça, deitado de bruços, em cima da cama. Na residência, não havia sinais de arrombamento.Seus parentes também perceberam a falta de seu carro e de alguns objetos. No dia seguinte, o veículo foi encontrado pela polícia no Parque do Carmo, na zona leste. "Meu filho morreu porque era muito bom e acreditava nas pessoas", disse hoje Ana Salgado, de 60 anos, mãe do anestesista.Segundo ela, Salgado, que foi tradutor do manual do médico no Brasil, havia recentemente aberto um consultório na Avenida Santa Catarina, zona sul, onde pretendia atender gratuitamente adultos e crianças carentes. "Perdi a criatura mais bela que conheci na vida. Era um amigo, um pai, um irmão e um filho ao mesmo tempo."

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