Preso acusado de liderar traficantes de classe média no Rio

Advogado Flávio Carino Guimarães, conhecido como Doutor, diz que sua prisão é represália da Polícia Civil

Pedro Dantas, O Estado de S.Paulo

13 de maio de 2008 | 17h27

O advogado apontado como líder de uma quadrilha de classe média, que traficava drogas na zona sul do Rio foi preso na noite de segunda-feira, 12, por policiais da Delegacia de Atendimento Especial ao Turista (Deat), na Avenida Vieira Souto, em Ipanema, em um carro importado. Flávio Carino Guimarães, de 32 anos, o "Doutor", foi o último integrante do bando a ser preso. De acordo com a polícia ele não portava armas, nem drogas e não resistiu à prisão. Em Janeiro, na chamada Operação Lâmina II, a Delegacia de Combate às Drogas (Dcod) prendeu seis homens que seriam comandados por Guimarães no comércio de entorpecentes no bairro de Laranjeiras (zona sul). O advogado estava foragido e com a prisão preventiva decretada desde então. De família de classe média alta, Guimarães disse que mora há 30 anos em Laranjeiras, mas já morou dois em Nova York, nos Estados Unidos. Nesta terça-feira, 13, ao ser apresentado à imprensa, Guimarães disse que a sua prisão era uma represália da Polícia Civil por sua atuação como advogado há dois anos, quando, segundo ele, suas denúncias à Corregedoria da instituição levaram à prisão três agentes que extorquiram um de seus clientes. "Esta perseguição vai acabar quando? Na minha casa não pegaram nada, não existe escuta telefônica, não existe nada. Estou preso sem provas. A única acusação é de que três mochilas minhas teriam odor de cocaína. Nunca vi isso", disse o advogado, que acusou a polícia de corporativismo e negou que conheça os demais integrantes da quadrilha. O delegado-adjunto da Deat, Daniel Mayr disse que os agentes do seu distrito apenas prenderam o acusado ao reconhecê-lo na rua, mas ironizou as acusações do advogado. "O mandado de prisão contra ele foi acatado por um promotor público e aceito pelo Tribunal de Justiça. Logo, todos devem estar envolvidos nesta conspiração corporativista", disse o delegado. O atual delegado-titular da DCod, Marcus Vinícius Braga, disse que desconhecia o inquérito, pois o mesmo já foi enviado para a Justiça. A delegada Patrícia Paiva de Aguiar, que chefiou o inquérito que envolve o advogado, está de licença médica da 17ª Delegacia de Polícia da Gávea (zona sul), que comanda atualmente.

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