Preso acusado de matar assentado em Alagoas

A Polícia Civil de Alagoas prendeu nesta sexta-feira José Bernardino da Silva, conhecido por "Louro", acusado do assassinato do vice-presidente do Assentamento Eldorado dos Carajás, Sebastião Agrísio da Silva, 44 anos. O crime aconteceu na quinta-feira, 25 de julho, no lote do agricultor, dentro do assentamento, que fica no município de Branquinha, a cerca de 80 quilômetros de Maceió."Louro" é acusado também de trabalhar para o ex-vereador de Murici e juiz de pequenas causas de União dos Palmares, Anísio Amorim (Anisão). Segundo o delegado Robson Coutinho, que responde cumulativamente pelas delegacias de Murici e Branquinha, apesar de "Louro" ter assumido o crime, Anisão será chamado para depor, porque é apontado como mandante do crime."Ele foi citado em vários depoimentos, por isso será chamado para depor", afirmou Coutinho, referindo-se a Anisão, que nega qualquer participação na morte de Sebastião Agrísio, embora tenha discutido com a vítima durante uma reunião que aconteceu na Associação do Assentamento Eldorado dos Carajás, poucas horas antes do crime.Motivo da discussão: a renegociação de uma dívida de R$ 800 mil com o Banco do Nordeste. O presidente da Associação, Gilberto Lopes, que também está ameaçado de morte, disse que Anisão defendia a renegociação da dívida, fruto de um calote que uma empresa de irrigação, conhecida por "Irrigante", teria dado nos assentados.A empresa recebeu o dinheiro, mas pediu falência antes de realizar o projeto, prejudicando os assentados. "Durante a reunião o clima ficou tenso, com discussão acirrada entre Anisão e Sebastião Agrísio, que se recusava a renegociar o débito com o Banco do Nordeste. Já Anisão insistia na renegociação, dizendo que, se a dívida não fosse paga, prejudicaria o assentamento inteiro", revelou Lopes, preocupado com a disputa entre os assentados egressos do movimento de sem-terra e aqueles que compraram lotes para transformá-los em chácaras de luxo.A morte de Sebastião Agrísio trouxe à tona um esquema de venda ilegal de terras da reforma agrária na Zona da Mata alagoana. O esquema - que envolve políticos, juizes, fazendeiros, comerciantes e até funcionários de cartórios - foi denunciado nesta sexta por lideranças dos sem-terra ao ouvidor agrário nacional, desembargador José Gersino da Silva Filho, que veio a Maceió, acompanhado do vice-presidente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Eduardo Freire.A reunião aconteceu na sede da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Alagoas, onde Gersino recebeu um dossiê, preparado por lideranças dos sem-terra, com essa e outras denúncias. Ele prometeu cobrar providências ao ministro do Desenvolvimento Agrário, José Abrão, principalmente quanto ao pedido de exoneração do superintendente do Incra em Alagoas, José Quixabeira Neto - acusado de prejudicar a reforma agrária e de ser conivente com as irregularidades nos assentamentos.Quixabeira se defendeu, dizendo que a reforma agrária não depende só dele, e reclama da falta de condições de trabalho no Incra, cujos telefones estão cortados por atraso no pagamento das contas. Segundo ele, este ano não foi assentada nenhuma família porque os proprietários entraram na Justiça Federal atrasando a tramitação dos processos de desapropriação de 18 fazendas, destinadas a 947 famílias. "Não se faz reforma agrária sozinho", concluiu.

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