Preso agente suspeito de espancar comerciante chinês

O agente penitenciário Denis Gonçalves Monsores foi preso neste sábado, na casa da namorada, em Belford Roxo, Baixada Fluminense, por agentes da Delegacia de Homicídios. Ele é um dos seis agentes do presídio Ary Franco suspeitos de terem espancado no presídio Ary Franco o comerciante chinês naturalizado brasileiro Chan Kim Chang, de 46 anos, que tiveram a prisão preventiva determinada pela Justiça. Monsores prestou depoimento e ficará preso na carceragem especial Ponto Zero, em Benfica.Sem citar nomes, o chefe de Polícia Civil, Álvaro Lins, disse que parentes de dois agentes suspeitos informaram que eles estão escondidos para evitar a prisão. Para o secretário estadual de Segurança Pública, Anthony Garotinho, a fuga dos agentes corresponde a uma confissão de culpa. "Eles estão foragidos por orientação dos advogados. Isso é praticamente uma confissão, quem não deve não teme", afirmou Garotinho.O advogado Michel Assef, que representa Ricardo Wagner Sarmento Alves, Ricardo Duarte Pires Valério, Carlos Alberto de Souza Rodrigues e Raul Broglio Júnior, disse à Agência Estado que os orientou a se entregarem, mas até o o início da tarde desta sábado eles não se apresentaram às autoridades policiais. Já Wilton Tostes, que defende o agente Everson Azevedo da Mota, admitiu que seu cliente só vai se entregar a partir de segunda-feira.Chang foi detido no Aeroporto Internacional Tom Jobim, na noite do dia 25, quando tentava embarcar para os Estados Unidos com pouco mais de US$ 30 mil não declarados à Receita Federal. Ele foi levado pela PF para o Ary Franco no dia seguinte, e no dia 27 foi encontrado inconsciente, com sinais de espancamento, em uma cela. O comerciante morrer na quinta-feira e seu corpo foi sepultado ontem.?Calar o clamor público"Os advogados dos acusados criticaram a prisão. "Achei inteiramente desnecessária. Eles compareceram à Polícia Civil, à Polícia Federal e, se forem chamados, vão à Polícia Rodoviária", ironizou Assef, que vai entrar amanhã com pedido de habeas corpus. Para ele, o pedido de prisão ocorreu devido à pressão do consulado chinês. "Se fosse um brasileiro morto na China, duvido que os chineses iam mandar prender alguém", disse. Assef afirmou estar preocupado com a integridade dos agentes. "Espero que não fiquem em contato com outros presos, pois podem sofrer represálias."Tostes disse que por enquanto não pedirá habeas corpus. Ele afirmou que o "momento do processo é político" e que o interesse do governo, agora, "é calar o clamor público". "Chang era um preso federal. Se você buscar nos anais do sistema, nunca houve agressão contra um preso federal", argumentou.

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