Christian Rizzi/Gazeta do Povo
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Preso, assassino revela como matou cartunista Glauco

Carlos Eduardo Sundfeld Nunes reconheceu autoria do crime; jovem permanece em Foz do Iguaçu

estadão.com.br

15 de março de 2010 | 17h41

Carlos Eduardo Sundfeld Nunes, o jovem que confessou ter matado o cartunista Glauco Vilas Boas e seu filho, deu detalhes do crime nesta segunda-feira, 15. "Tô com uma arma na mão no meio do mato, apontando para um cara famoso. Olha, os caras vão me condenar à morte aqui no Brasil. Vão me 'f...' com a vida. Aí eu falei: você 'f...' com a minha, demorou, vou 'f...' com a sua também. Aí atirei nele", afirmou o jovem em uma delegacia da Polícia Federal em Foz de Iguaçu, onde permanece antes que se decida sobre sua transferência para São Paulo.

 

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Quando perguntado se foi ele quem cometeu os assassinatos, o jovem reconheceu: "Foi eu." Ele também revelou como matou Raoni, de 25 anos. "O filho dele veio pra cima de mim. Atirei no filho dele também", disse Nunes.

 

O estudante, de 24 anos, foi detido por volta das 23 horas de domingo, na fronteira entre o Brasil e o Paraguai. O jovem ficou três dias escondido em um matagal no pico do Jaraguá, na zona norte de São Paulo, enquanto planejava sua fuga.

 

Para sair do país, ele roubou um carro na manhã de ontem. Ao ser abordado por policiais rodoviários federais, o estudante iniciou um tiroteio. Um agente ficou ferido no braço, mas passa bem.

 

A transferência do preso para São Paulo depende de uma decisão da justiça, segundo informou a Secretaria de Segurança Pública (SSP). Carlos Eduardo está detido sozinho em uma sala da sede da PF em Foz do Iguaçu.

 

'CHAMADO DE DEUS'

 

Nunes também disse à Polícia Federal que matou o cartunista e seu filho porque estava cumprindo um "chamado de Deus" e uma "missão". A PF afirmou não ter entrado em detalhes, em razão de o crime ser investigado pela polícia paulista, mas o delegado José Alberto Iegas admitiu que o jovem tem um discurso místico, em que declara ser Jesus Cristo.

 

Mais tarde, após depoimento, o delegado avaliou que o rapaz também demonstra alguma lucidez. "Parece que ele tem as ideias concatenadas, estava lúcido, fala bem, mas fica difícil fazer uma avaliação da questão psicológica dele. Certamente deve ser submetido a algum exame para verificar."

 

(Com Evandro Fadel, de O Estado de S. Paulo)

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