Preso cabo do Exército envolvido com quadrilha mineira

Um cabo do Exército em Santarém, no Pará, foi preso sob a suspeita de fornecer armas e equipamentos de uso exclusivo das Forças Armadas à quadrilha que praticou uma série de assaltos a bancos entre 8 e 10 de janeiro, em regiões de Minas Gerais. Nesta sexta-feira, 23, a polícia mineira apresentou cinco suspeitos das ações criminosas, presos nos últimos dias nos Estados do Pará, Maranhão e Goiás. Outros nove suspeitos permanecem foragidos. "A investigação detectou que parte do material apreendido com os criminosos foi desviada do Exército. Está bem documentado", disse o delegado Wanderson Gomes da Silva, coordenador do Comitê de Gestão Estratégica e Tática do Departamento de Investigações da Polícia Civil. Nove carregadores de fuzil 762 e farta munição, além de uma mochila com o logotipo do Exército, foram apreendidos na semana passada com Onicésar Abrenhosa Guimarães e o ex-policial militar Walter Canté de Oliveira, apontados como líderes da quadrilha. Eles estavam em um Ford EcoSport, junto com um sobrinho de Walter Canté, e foram presos a cerca de 20 quilômetros de Marabá. A partir da apreensão do material, os policiais chegaram ao cabo Alenílson Martins Gonçalves, de 33 anos, que seria o responsável pelo setor de logística do 8º Batalhão de Construções de Santarém. "Antes da apreensão, ele teve um encontro com outras pessoas presas na região de Santarém", afirmou o delegado. No início de janeiro, bandidos espalharam terror nas cidades mineiras e assaltaram agências bancárias de São Gotardo e Tiros, na região do Alto Paranaíba, Brasilândia de Minas (noroeste) e São Sebastião do Maranhão, no Vale do Rio Doce. Em São Gotardo, os criminosos atacaram as agências do Banco do Brasil e do banco Itaú, além de uma loja de eletrodomésticos. Durante a fuga, assassinaram o cabo da Polícia Militar Vandec Costa da Silva, 32 anos, atingido no pescoço por um tiro de fuzil. Eles também fizeram reféns cinco policiais militares, dois delegados e um juiz, que só foram liberados no início da manhã seguinte, na cidade de Sacramento. A polícia acredita que as quadrilhas se articulam em "consórcios", com atuação em vários Estados da Federação. "No momento, podemos dizer que é uma das maiores e mais violentas, que estão sendo desarticuladas", observou o delegado. Uma equipe composta por três delegados e 15 agentes mineiros participou das prisões, feitas em conjunto com as polícias dos outros Estados. A mulher de Walter Canté, Rosicleide do Nascimento Alves, foi presa em Belém. Amauri Lucena Guimarães foi preso em Imperatriz. Outro suspeito, que utilizava o nome falso de Diono Lima dos Santos, foi capturado em Goiânia. Milhões Em Belém, durante cumprimento de um mandado de busca, foram arrecadados R$ 97,2 mil em espécie com um dono de uma agência de viagem, que teria se encontrado dias antes com Walter Canté. Nas operações de janeiro, foram roubados mais de R$ 1 milhão, segundo o delegado. Somando-se ao que foi levado das agências do Banco do Brasil em São Romão e Riachinho, no dia 6 último, o desfalque passa dos R$ 2 milhões, conforme o policial. A Polícia Militar de Minas continuava durante esta sexta-feira o cerco para tentar capturar quatro assaltantes, fortemente armados, que estariam escondidos em uma mata fechada da região de Bonfinópolis de Minas. Mais de 200 policiais participavam das buscas. Quatro suspeitos já foram presos. No final da noite do último sábado, os bandidos libertaram quatro homens mantidos reféns por quase uma semana. Colômbia A assessoria do governador de Minas, Aécio Neves (PSDB), confirmou nesta sexta que ele deverá viajar, junto com o governador do Rio, Sérgio Cabral Filho (PMDB), no final de março para a Colômbia, onde irá conhecer as medidas de combate á violência em cidades como Bogotá e Medelin. O convite aos governadores foi feito pelo presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Luis Alberto Moreno, durante encontro em Washington (EUA).

Agencia Estado,

23 Fevereiro 2007 | 19h18

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