Preso comandava pelo celular esquema de extorsão no interior paulista

O preso Paulo Marciano Camargo Filho, o "Tico Marciano", de 25 anos, comandava de uma cela do Centro de Detenção Provisória 1, no Belenzinho, na capital paulista, um esquema de extorsão no interior do Estado. Empresários e comerciantes eram obrigados a depositar dinheiro em contas abertas pela quadrilha para que não fossem sequestrados. As ameaças estendiam-se a membros da família do extorquido.Há duas semanas, o comerciante Antenor Frizzo, de 65 anos, que vinha sendo ameaçado de sequestro, foi morto com dois tiros, em Boituva. Dois integrantes da quadrilha, Ivan José das Dores, de 26 anos, e o menor J.R.S., de 15 anos, foram presos na noite de segunda-feira, quando ligavam para novas vítimas de um telefone público em Osasco, na Grande São Paulo.A prisão foi efetuada pela equipe comandada pelo delegado Rui Ferraz, titular da seção de Roubo a Bancos do Departamento de Investigações Criminais (Deic) da Capital. A Polícia Civil de Boituva tinha pedido a ajuda da equipe especializada de São Paulo depois da morte de Frizzo.Os acusados tinham passado para uma das vítimas os mesmos números de contas bancárias que forneceram ao comerciante assassinado. Os dois confessaram as extorsões, mas negaram participação no homicídio. O menor contou que conheceu Tico Marciano através de um cunhado, que divide a cela com ele. Marciano, que morava em Boituva, tinha sido preso no início deste ano, em São Paulo, quando sacava o dinheiro depositado por um produtor rural de Capela do Alto, a quem ameaçara sequestrar. Ele propôs a J.R.S. participação no esquema. Marciano passava pelo celular os nomes e outras informações sobre as pessoas e o menor fazia os contatos. Ivan era encarregado de pegar parte do dinheiro e comprar drogas para o preso. Comerciantes de Tatuí e Porto Feliz também foram alvo desse tipo de extorsão.O assédio a Frizzo começou no dia 24 de agosto. Dois dias depois, o comerciante foi orientado a fazer depósitos de R$ 15 mil em três contas bancárias em agências da região de Vila dos Remédios, na capital. O comerciante, que avisara a polícia e tinha o telefone monitorado, não fez os depósitos e voltou a ser ameaçado no dia 27. Os telefonemas cessaram, mesmo assim Frizzo contratou segurança particular. No dia 3 de setembro, quando chegava em casa de carro, foi morto com dois tiros.Segundo o delegado de Boituva, Carlos Antonio Antunes, mesmo depois da morte do comerciante a quadrilha continuou extorquindo moradores da cidade. "Eles usavam o exemplo do comerciante para convencê-los a pagar." Como três deles procuraram a polícia, foi possível rastrear as ligações. Duas das vítimas fizeram depósitos de R$ 1,5 mil e R$ 3,5 mil respectivamente em contas abertas pela quadrilha. Há informações de que outros empresários da cidade fizeram pagamentos e continuaram sendo extorquidos. "Esse bando vinha aterrorizando a população", disse Antunes.O delegado descartou a possibilidade de J.R.S. e do comparsa terem sido os autores da morte de Frizzo. Ele acredita que podem haver outros integrantes na quadrilha ou que o crime não tenha relação com as extorsões. "As investigações vão continuar."

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