Preso confessa crime contra estudantes no PR

Arma encontrada com Paulo Unfried foi usada na morte de Osíris Del Corso, diz perícia

Evandro Fadel, CURITIBA, O Estadao de S.Paulo

01 Julho 2009 | 00h00

As investigações sobre a morte do estudante Osíris Del Corso, de 22 anos, e de ferimentos e atentado violento ao pudor contra sua namorada, M.P.L., de 23 anos, no dia 31 de janeiro, no Morro do Boi, município de Matinhos, litoral do Paraná, sofreram uma reviravolta. Um homem preso na semana passada no litoral, sob acusação de assalto a uma residência e estupro, confessou, segundo o Ministério Público, que praticou o crime contra os dois jovens. Com ele foram encontradas duas armas, uma delas identificada pela perícia como a utilizada para matar Del Corso e ferir M. Até agora, os crimes eram imputados a Juarez Pereira Pinto, de 42 anos, que está preso desde 17 de fevereiro. Os advogados de Pinto anunciaram que vão reforçar o pedido para que seja emitido alvará de soltura. Segundo o advogado Mário Lúcio Monteiro Filho, a confissão e a prova da arma reforçam o pedido. Ele disse que possível pedido de indenização deve ser discutido. O delegado Luiz Cartaxo de Moura, que conduziu o inquérito, disse, em entrevista coletiva na tarde de ontem, que Paulo Delci Unfried, de 32 anos, foi preso na quarta-feira. Autuado em flagrante, houve desconfiança em relação a ele por causa da semelhança com o retrato falado do crime contra os estudantes. Na segunda-feira, houve a confirmação de que uma das armas apreendidas com Unfried foi usada no crime. O delegado disse que a arma foi comprada legalmente em Cascavel. Passou por três pessoas, antes de chegar às mãos de Unfried, que a comprou entre os dias 3 e 5 de janeiro. O rapaz, que é casado, mora em Caiobá, nas proximidades do Morro do Boi. As promotoras de Matinhos, Carolina Dias Aidar e Fernanda Maria Motta Ribas, informaram à Justiça que, ao tomar conhecimento informalmente, ontem, do resultado positivo da arma, Unfried tentou suicídio por enforcamento. "De volta à Delegacia de Polícia, confessou a autoria do crime", dizem as promotoras no comunicado ao Judiciário. Elas pediram, então, que ele fosse ouvido pelo Ministério Público. "As declarações são contraditórias com a prova colhida até agora nos autos, em especial com as palavras da vítima, denotando que a confissão não encontra amparo no presente processo", afirmam. Por isso, as promotoras pediram à Justiça, entre outras coisas, que sejam realizados exames no suspeito, nova reconstituição do crime e que ele seja submetido a reconhecimento por M. Segundo o delegado Moura, Unfried alegou que o objetivo era assaltar o casal e disse que não houve abuso sexual. O delegado, porém, foi taxativo em afirmar a culpa de Pinto. "A polícia entendeu que as provas existentes eram suficientes, assim como entenderam o Ministério Público e o Judiciário", disse ontem. "Não admitimos erro. Se um erro aconteceu é resultante da conjuntura probatória forte, com reconhecimento pessoal feito pela polícia e pela vítima." O delegado alegou, ainda, que os álibis de Pinto apresentaram muitas contradições.

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