Preso do Rio usa bando em SP para buscar resgate

Quadrilha se formou após tentativa de golpe de detento em outro bandido

Marcelo Godoy, O Estadao de S.Paulo

22 de maio de 2009 | 00h00

"Alô, pai, pai, pai, me ajuda..." Muita gente já recebeu esse tipo de telefonema. É assim que começa um dos mais conhecidos golpes por telefone, o falso sequestro. Mas o crime se reinventou e passou a usar o telefone para arregimentar bandidos para quadrilhas que aplicam o golpe. Como? É simples. O bandido liga para números aleatórios em São Paulo e em outros Estados. O telefonema pode cair em sua casa ou... Na casa de um bandido. "Aí, irmão, eu sou do crime." Foi assim que André Carlos de Sousa, de 28 anos, respondeu ao telefonema que recebeu em janeiro. Do outro lado da linha estava Jotinha, preso no Rio. "Então, ?vamo faze umas fita? juntos." E, assim, os bandidos do Rio arrumaram um bando que se encarregava de receber dinheiro e joias dos pagamentos dos "resgates" em São Paulo.Cinco acusados de compor o grupo em São Paulo foram identificados pela polícia. Dois deles foram presos: André Sousa e Rafael Pereira Rodrigues, de 27 anos. Além deles, foi detido um adolescente de 15 anos, vizinho dos bandidos e colega de crimes. Outros dois homens tiveram prisões decretadas pela Justiça com base nas investigações da Delegacia de Roubos do Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado (Deic) - Ervin Thiersch Neto, de 30 anos, e Rodrigo Carlos de Sousa, de 27, irmão de André."Eles se aproveitavam do desespero das vítimas, que são induzidas a pensar que seus parentes estão sequestrados, para obter joias, dólares, dinheiro e laptops", afirmou o delegado Edison Remigio de Santi, titular da 1ª Delegacia. As investigações da polícia começaram em março, depois que o bando aplicou o golpe em um aposentado de 80 anos. A vítima foi induzida pelos bandidos a pensar que um de seus filhos havia sido sequestrado. Ao mesmo tempo em que mantinham a vítima ao telefone, sem deixá-la desligar, por meio de outro aparelho Jotinha fazia contato com seus comparsas em São Paulo. "O André disse que não conhecia o Jotinha até o momento em que ele recebeu em sua casa o telefonema", afirmou o delegado.Jotinha obrigava as vítimas a dizer seus endereços e os passava a André e seus colegas, que iam buscar o "resgate". Em um outro caso, os criminosos induziram uma aposentada de 86 anos, moradora do Jabaquara, na zona sul, a entregar suas economias para "libertar o filho". Em outro caso, uma vítima foi com uma Blazer entregar o dinheiro ao bando no cruzamento entre a Via Dutra e a Rodovia Fernão Dias, em São Paulo. Os bandidos puseram as mãos em R$ 25 mil. A parte de Jotinha era depositada por André em contas bancárias. Na casa de um dos acusados foram achados três relógios e R$ 7 mil que seriam depositados para Jotinha. Em São Paulo, o grupo teria praticado uma dezena de crimes. A polícia agora quer identificar Jotinha, o preso carioca.FRASESAndré Carlos de SousaComparsa em SP"Aí, irmão, eu sou do crime"JotinhaDetento no Rio"Então ?vamo faze umas fita? junto"Edison Remigio de Santi,Delegado titular"Eles se aproveitavam do desespero das vítimas, que são induzidas a pensar que seus parentes estão sequestrados, para obter joias, dólares, dinheiro e lap tops"

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.