Preso em Tremembé, cabo Bruno deve ir para o semiaberto

Polêmico personagem da crônica policial dos anos 80, ele já cumpriu 1/6 dos 113 anos da pena

Alexandre Petillo, O Estadao de S.Paulo

15 Agosto 2009 | 00h00

Ele garante que é um "novo homem". Agora, espera que a Justiça reconheça isso. Depois de cumprir 18 dos 113 anos a que foi condenado, cabo Bruno, um dos personagens mais polêmicos da crônica policial paulistana, deve passar a cumprir sua pena em regime semiaberto - só voltaria para a cela para dormir, na Penitenciária 2 de Tremembé. Ex-policial militar, Florisvaldo de Oliveira, de 50 anos, ficou conhecido como um "justiceiro" nos anos 1980. Foi acusado de matar mais de 50 pessoas na periferia da zona sul de São Paulo. A maioria era bandidos que aterrorizavam os comerciantes locais - crimes confessados e depois negados em depoimento. Ele cumpre sua pena em regime fechado, mas nos próximos dias pode ser beneficiado com a progressão para o semiaberto. O Ministério Público Estadual (MPE) em Taubaté analisa o resultado dos exames criminológicos e deve enviar parecer sobre o caso até a próxima semana para a Justiça. Cabo Bruno já cumpriu um sexto de sua pena e tem direito ao semiaberto. O MPE pediu para a Justiça uma avaliação psicossocial-criminológica do preso. O exame foi realizado em duas etapas e contou com avaliação de funcionários da unidade prisional e de assistentes sociais, psicólogos e psiquiatras da Secretaria de Administração Penitenciária (SAP). O Estado apurou que o resultado dos exames foram concluídos no início deste mês e todos os pareceres foram favoráveis à progressão da pena. Em um dos laudos, psicólogos escrevem que o condenado apresenta um comportamento exemplar e que a mudança de regime seria benéfica para "Bruno" refazer a vida. O processo está na mesa do promotor da Vara de Execuções Criminais de Taubaté, Paulo Rogério Bastos Costa. Após parecer de Costa, os advogados de defesa terão cinco dias para se manifestar - o processo será então encaminhado para a decisão da juíza corregedora Sueli Zeraik. "O processo está sendo analisado e nós vamos cumprir o prazo estabelecido, mas ainda não é possível antecipar nada agora", diz o promotor. No presídio há uma capela ecumênica, construída pelos internos. Cabo Bruno é um dos capelães, um homem devotado a Deus. Em 19 de julho do ano passado, ele casou-se com a missionária Dayse França, de 42 anos, que conheceu durante pregação. A cerimônia foi emocionante, contam, com direito a música ao vivo. ?DOCE E AMÁVEL? Acompanhando o presidiário há cerca de dez anos, o casal de missionários da Capelania Evangélica dos Presídios Marli e Sérgio Lélis diz que o homem acusado de executar dezenas de pessoas não existe mais. "Bruno é uma pessoa doce e amável, que só pensa em fazer o bem aos outros. Tudo está sendo feito conforme a vontade de Deus. Ele vai receber esse benefício e vai poder passar mais tempo com a família e ajudar a mulher a levar a palavra de Deus", diz Marli. Entre seus seguidores estão detentos famosos, como Lindemberg Alves, conhecido por matar a ex-namorada Eloá, em Santo André. Além de se dedicar à pregação evangélica, Bruno mantém um ateliê de pintura na P2, e algumas de suas obras já chegaram a ser expostas em uma galeria de artes. Seu estilo de arte é figurativa. O novo cabo Bruno gosta de formas definidas e concretas.

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