Preso gerente do PCC que cuidava de 20 favelas de SP

Ele foi ferido em tiroteio e polícia teve de cercar hospital, para evitar resgate

Marcelo Godoy, O Estadao de S.Paulo

28 de maio de 2008 | 00h00

Após um tiroteio, a polícia prendeu ontem Márcio de Souza Inês Andrade, o Marcinho Pequeno. Homem de confiança de Marcos Paulo Nunes da Silva, o Vietnã, um dos chefes do Primeiro Comando da Capital (PCC), ele seria o gerente das 20 favelas dominadas por Vietnã na zona sul de São Paulo. Pequeno foi ferido na barriga por policiais do Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado (Deic) na Favela Santa Clara, em Americanópolis, onde foram achadas armas e drogas. O hospital em que ele está foi cercado pela polícia, para evitar resgate.As investigações do Deic começaram há três meses. Marcinho Pequeno cuidava do bicho-papão, o imposto cobrado pelo PCC de cada ponto-de-venda de droga. É por meio desse esquema que a cúpula da facção obriga ainda que os traficantes comprem da organização parte da cocaína que vão revender. O gerente e braço direito de Vietnã é ainda apontado pelos investigadores como responsável pelo gerenciamento da compra de cestas básicas para familiares de integrantes da facção criminosa que estão presos. Vietnã é considerado pela polícia como um dos maiores financiadores do PCC. Ele traz cocaína da Bolívia e da Colômbia e controla alguns dos principais pontos de droga da zona sul de São Paulo.Durante as investigações, os policiais do Deic descobriram que Marcinho havia montado, na Rua Delfino Facchina, um depósito de drogas e armas. Na tarde de anteontem, o Deic recebeu a informação de que Marcinho havia marcado uma reunião perto do depósito, na Rua Doutor Mário de Campos. Quando os policiais foram prendê-lo, o traficante reagiu a tiros - ele portava uma pistola calibre 40.Marcinho escapou, mas acabou localizado em um hospital da zona sul - seu estado de saúde era grave. O local foi cercado pelo Grupo Especial de Resgate (GER), do Deic, pois a polícia recebeu a informação de que os comparsas de Marcinho planejavam resgatá-lo do hospital.No depósito da quadrilha, os investigadores apreenderam duas submetralhadoras, cocaína, crack, maconha, éter, duas balanças de precisão, uma pistola e seis rádios de comunicação, usados pelos bandidos para controlar o movimento na Favela Santa Clara. A cerca de um quilômetro dali, na casa do traficante, os homens do Deic encontraram uma espingarda e mais drogas .

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