Preso, ladrão à antiga diz ter orgulho da profissão

O lavrador José Alves Lins, de 56 anos, é um daqueles ladrões à antiga, que não usam violência e parecem gostar da profissão só pelo prazer de enganar as pessoas. Dono de um pequeno sítio no interior do município de Acajutiba, nosudoeste baiano, que lhe permitiria viver honestamente com tranqüilidade, Lins vinha furtando passageiros de ônibus que circulavam pela região até que foi preso nesta sexta-feira pela polícia do município de Vitória da Conquista. Estava com 26 cartões de créditos e um computador portátil, produtos de suas incursões nos ônibus. Na delegacia, não perdeu, contudo, o orgulho da "profissão". "Eu esperava as pessoas dormirem e examinava se tinham alguma coisa que me interessava", disse, afirmando que nem sempre a "sorte lhe sorria". Às vezes, lamuriou-se, havia dias em que circulava por cinco veículos e não achava "nem uma banana".Foi num desses dias ruins que Lins decidiu efetivar um plano que remoía há muito tempo, desde que um circo chegou à sua cidade natal, Acajutiba. O dono do circo, um gaúcho bairrista e falastrão, foi logo anunciando que não iria cobrar o ingresso para gaúchos. Era só provar anaturalidade apresentando a carteira de identidade e entrava de graça.Lins aproveitou uma viagem a Salvador, onde foi tratar de "negócios" - vender alguns cartões roubados - e passou no setor de achados e perdidos da Estação Rodoviária. Pediu à funcionária do setor para procurar um documento e a mulher lhe entregou a caixa com os objetos perdidos. Ela vasculhou até encontrar a identidade de um gaúcho, um tal Pedro Zafari, que teve a infelicidade de perder o documento e não se preocupou em tentar recuperá-lo."É esse aqui, moça", avisou o larápio, levando a identidade do outro sem o menor problema. Em casa, substitui a foto original por uma sua e, a partir de então, passou a ter passe livre no circo de Acajutiba. "Assisti ao espetáculo um mêssem que ninguém desconfiasse de nada", gabou-se. Mesmo preso em flagrante e indiciado em furto e estelionato, o sorridente Lins parecia não ligar, acreditando que poderia safar-se da cadeia em pouco tempo com a mesma facilidade com que enganava suas vítimas.

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