Preso rapaz suspeito de matar ex-namorada com cinco tiros

Garota de 23 anos, morta em academia de ginástica, na Lapa, já havia registrado quatro ocorrências contra ele

Daniela do Canto e Marici Capitelli, O Estadao de S.Paulo

09 de janeiro de 2009 | 00h00

A recepcionista Marina Sanchez Garnero, de 23 anos, morta pelo ex-namorado Marcelo Travitzki Barbosa, de 29, já havia registrado quatro ocorrências de agressão contra ele - três no ano passado. Dois meses atrás, a polícia havia instaurado inquérito por causa de denúncia da jovem. Detido ontem às 18 horas, entre a Avenida Ipiranga e a Rua Santa Ifigênia, centro de São Paulo, o rapaz confessou ter matado Marina na noite de anteontem na Lapa, zona oeste. Ele efetuou seis disparos. Cinco acertaram a vítima, no rosto, peito e costas.Marcelo, que estava em liberdade condicional de uma pena por assalto em 2005, matou Marina às 21h51 de anteontem na Academia Oxigênio, onde ela trabalhava. Até as 23 horas de ontem, o rapaz ainda prestava depoimento no 7º Distrito Policial (Lapa), de onde seguiria para passar a noite no 91 º DP (Ceasa). Hoje, será transferido para um Centro de Detenção Provisório. A família da vítima e o Instituto Médico-Legal de São Paulo não informaram o local do velório e do sepultamento do corpo de Marina.Marcelo, que é formado em Direito e seria viciado em droga e álcool, se relacionou por quatro anos com a jovem. Parentes e amigos do rapaz disseram que o casal chegou a morar junto, até novembro. A família de Marina negou e afirmou que eles já estavam separados havia um ano e meio. "Pelo que sabemos ele não suportou vê-la beijando outro rapaz um pouco mais cedo, a ameaçou e voltou para matá-la", disse o advogado Stefenson Cardoso de Almeida, para quem Marcelo e o irmão Rodrigo, estudante de Direito, trabalharam como motoboy e estagiário, respectivamente. Antes de matar Marina, Marcelo bebeu por todo dia, desde às 10 horas. O casal teve uma história conturbada. No início do namoro, em julho de 2005, ela registrou um Termo Circunstanciado (TC) contra ele por agressão. Três meses depois, em outubro, ele foi preso em flagrante ao roubar um Toyota Corolla e ameaçar três ocupantes, em Perdizes. Quando preso, Marina o visitava, disseram familiares e polícia.A tensão entre o casal aumentou a partir de janeiro do ano passado, quando ele foi para o regime aberto. Marina registrou um TC e dois BOs por agressão. Ela dizia também sofrer ameaça. No dia 28 de novembro, Marina registrou representação, no 7º DP, e afirmou que rompera porque Marcelo era " bêbado, drogado". "Minha mãe não gosta dele, não tem futuro e (terminei), principalmente, porque não gosto mais dele", disse a recepcionista à polícia.De acordo com o delegado-titular, Jair Vicente, ele foi intimado e faltou. Seria convocado novamente. "Mas não deu tempo." Vicente explicou que dois dias antes de representar contra Marcelo, Marina registrou ocorrência na 9ª Delegacia da Mulher. Ela não quis se beneficiar da Lei Maria da Penha, onde a vítima pode solicitar medidas de proteção preventiva. Vicente explicou que os crimes de ameaça são considerados menos ofensivos. "Ficamos de mãos atadas", disse o titular.De acordo com o delegado, só juízes podem pedir medidas protetivas. "Isso costuma acontecer em casos de violência doméstica." O Tribunal de Justiça informou que, apesar dos TCs e dos BOs, a condicional não seria suspensa. Isso só poderia ter ocorrido se Marcelo fosse novamente condenado a uma pena privativa, esgotados os recursos. COLABOROU FELIPE GRANDIN

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