Preso sai, mata e retorna à cadeia de Ribeirão Preto

O detento Edson dos Santos, que estava preso na Cadeia de Vila Branca, de Ribeirão Preto, saiu da prisão em 18 de março de 2000, matou um inimigo e retornou ao cativeiro. A informação consta de um inquérito, concluído em junho, e aponta as condições precárias do presídio, onde já entraram barris de chopes, drogas e pizzas pedidas por telefones. O local é chamado pelos próprios presos de ?cadeia de chocolate?. Santos foi acusado pela mulher de Márcio Pereira de Souza de matá-lo a tiros. Só que ele estava preso quando o crime aconteceu, o que o livraria da acusação. Diante da insistência da mulher em apontá-lo como culpado, a polícia realizou um exame residuográfico nas mãos de Santos dois dias após a morte de Souza. O resultado apontou a existência de resíduos de pólvora nas mãos do preso, o que comprovou que Santos deixou a cadeia para matar Souza, com a conivência de funcionários do presídio. No dia do crime, três carcereiros estavam em serviço. Entre eles, Márcio José Brasileiro, acusado de facilitar a entrada de dois barris de chope no presídio em janeiro deste ano. Ele foi transferido para a Cadeia de São Carlos. Os outros dois continuam atuando em Vila Branca. O delegado seccional de Ribeirão, José Manuel de Oliveira, disse que o caso agora está nas mãos do corregedor-auxiliar, na cidade, Jayme Ribeiro da Silva Filho.Em 1998, a Cadeia de Vila Branca, que tem sérios problemas estruturais, teve o pedido de interdição solicitado pelo juiz corregedor dos Presídios, Luiz Augusto Freire Teotônio. No entanto, a interdição depende da homologação do corregedor-geral de Justiça do Estado. Na última terça-feira, o delegado-assistente Marcelo Velludo Garcia de Lima e o carcereiro José Francisco Massola foram afastados pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB), após a divulgação das gravações telefônicas em que até pizzas eram encomendadas para os presos por telefone celular. O anúncio foi de três afastamentos, mas só dois nomes foram confirmados.Hoje um programa jornalístico da TV Clube, afiliada da TV Bandeirantes na região de Ribeirão Preto, divulgou a entrevista de um carcereiro, não identificado, que apontou diversos problemas na Cadeia de Vila Branca, inclusive uma espécie de acordo entre a direção da unidade e os presos. Ele citou que armas e uma granada foram encontradas no local e que os presos mandam na cadeia, exigindo até transferências de funcionários e carcereiros. Também disse que a revista é ?olho de vidro?, ou seja, dura poucos minutos, e que os carcereiros sempre são ameaçados. O delegado seccional Oliveira considerou absurda a declaração. ?A administração da cadeia não faz acordo e as duas únicas transferências de carcereiros ocorreram em função da entrada dos barris de chope no local?, disse ele.

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