Preso segurança que matou rapaz em shopping de Campinas

O segurança Roberto Aparecido Lopes, de 28 anos, foi indiciado e preso nesta sexta-feira, 20, em Campinas, por homicídio doloso qualificado, por motivo fútil. Lopes confessou ser o autor do tiro que matou na quarta-feira, 18, o radiologista Rafael Silva de Paula Moreira, de 26 anos, que saía com cinco amigos do Shopping Iguatemi, em Campinas. O tiro acertou o rosto do rapaz, que morreu a caminho do Hospital Mário Gatti. Desde quarta, Lopes era procurado pela Polícia Civil de Campinas. Nesta sexta, ele se apresentou na Delegacia Seccional. Em um depoimento de aproximadamente duas horas, alegou ter ficado nervoso com uma discussão que acabou em briga e agressões físicas. O nervosismo teria sido o motivo do disparo.O delegado seccional Marcos Galli Casseb informou que a Justiça deve indicar uma segunda qualificação para o crime. O juiz da 5ª Vara Criminal, Maurício Henrique Guimarães Pereira Filho, que decretou a prisão temporária de Lopes, não foi encontrado. O advogado de defesa do segurança da empresa terceirizada Verzani & Sandrini Segurança Patrimonial, José Pedro Said Júnior, disse que vai tentar classificar o crime cometido por seu cliente como homicídio simples. A pena para o homicídio qualificado varia entre 12 e 30 anos de prisão, no caso de condenação. Para o homicídio simples, cai para seis a 20 anos. "Ele não negou o disparo. Mas é preciso separar o joio do trigo. O Roberto é um trabalhador, e esse homicídio foi um fato isolado em sua vida", afirmou Said Júnior.Casado, pai de dois filhos, Lopes ficará pelo menos 15 dias preso. Ele foi levado para a cadeia do 2º Distrito Policial de Campinas, segundo informou o delegado seccional. A defesa informou que, por enquanto, não vai pedir habeas-corpus para o segurança. O delegado Marcos Casseb disse que, pelo depoimento, é possível concluir que o segurança poderia ter evitado o tiro.DepoimentoSegundo a versão de Lopes dada à polícia, o grupo de seis rapazes teria saído do Shopping Iguatemi e derrubado alguns cones de sinalização no estacionamento. Lopes disse que naquela noite ele era o líder da segurança. Segundo o advogado do shopping, Ralph Tórtima Filho, cerca de 15 homens faziam a segurança do local. Lopes contou ter repreendido os rapazes. E disse ao delegado Carlos Henrique Fernandes, que preside o inquérito, que a bronca foi seguida de uma discussão que terminou em tapas e chutes. Os delegados não informaram de quem teria partido a primeira agressão. Segundo Casseb, o segurança teria confirmado que dois rapazes foram levados para dentro do shopping por outros seguranças. Um dos amigos de Rafael Moreira deu a mesma versão na quinta-feira ao Estado.Os quatro outros integrantes do grupo teriam saído de moto, segundo Lopes. O segurança confirmou, de acordo com a polícia, que correu em direção à motocicleta em que estavam Moreira e um amigo. O garupa, Thiago Fonseca, disse ao Estado que o segurança atirou três vezes. Lopes disse à polícia que fez apenas um disparo, mas que outro segurança teria dado um tiro de alerta alguns momentos antes.Imagens A polícia solicitou ao shopping imagens do circuito interno de câmeras. As imagens foram entregues na tarde desta sexta. Segundo o advogado do Iguatemi, não é possível ver o momento do disparo, já que o alcance da câmera não permitiu a visualização do local em que Rafael Moreira foi atingido, indicado pelo segurança e pelo Iguatemi como "uma via pública". Casseb e Fernandes disseram não ter assistido aos vídeos, entregues em dois CDs. "Vamos analisar e enviar para perícia", afirmou o seccional.

Agencia Estado,

20 de outubro de 2006 | 20h11

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