Preso suposto líder de tortura

Policial Civil nega ataque a jornalistas de ''O Dia''

Clarissa Thomé, O Estadao de S.Paulo

17 de junho de 2008 | 00h00

Depois de permanecer 14 dias foragido, o inspetor de Polícia Civil Odinei Fernandes da Silva se entregou ontem à Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco). Conhecido como Zero Um, ele é acusado de chefiar a milícia na Favela do Batan, na zona oeste, e de ter comandado a tortura a uma equipe de reportagem do jornal O Dia. Ele negou todos os crimes.O inspetor se apresentou acompanhado do advogado André Gomes. Prestou depoimento durante cerca de 45 minutos. Disse que só conhecia a milícia pela imprensa e que, no dia da tortura aos funcionários de O Dia, estava numa festa com a família, de onde saiu "muito embriagado". "Aliás, que tortura? Não há laudo físico atestando que houve tortura", questionou o advogado.Gomes disse que seu cliente está sendo alvo de represálias por sua atuação sindical quando ainda era agente penitenciário e por denúncias de corrupção que teria feito entre 1999 e 2005, antes de ingressar na Polícia Civil. Sobre Odinei ter sido citado num relatório da Anistia Internacional por tortura de presos, reagiu: "Não há provas. Esse é um relatório feito por americanos, que torturam no mundo todo".Gomes questiona ainda o fato de a repórter e de o fotógrafo do jornal carioca terem reconhecido seu cliente por foto. "As vítimas alegam que foram torturadas por homens encapuzados. Como podem tê-lo identificado?" Segundo o titular da Draco, Cláudio Ferraz, a equipe de O Dia reconheceu o policial "pela voz, pelo procedimento e pela compleição física".O inspetor é o segundo preso pela tortura da equipe do jornal. Em 4 de junho, a polícia anunciou a prisão de David Liberato de Araújo, presidiário que estava em regime semi-aberto. Ele seria o segundo homem na hierarquia da milícia. Uma repórter, um fotógrafo e um motorista de O Dia foram seqüestrados por milicianos da Favela do Batan, quando faziam uma reportagem infiltrados na comunidade. O secretário de Estado de Segurança, José Mariano Beltrame, disse que Odinei será expulso da Polícia Civil. "Queremos extirpar esse elemento da corporação", afirmou.

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