Reprodução/ Twitter
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Guarapuava: suspeito de dar suporte à quadrilha é liberado após prestar depoimento

Conforme a polícia, ele não participou diretamente da ação, mas ajudou o grupo com logística, aluguel de imóveis e veículos, além de repassar informações sobre o alvo dos criminosos; ministro da Justiça defende penas mais duras

José Maria Tomazela e Julio Cesar Lima, O Estado de S.Paulo

18 de abril de 2022 | 18h51

A Polícia Civil de Guarapuava, no interior do Paraná, liberou na noite desta segunda-feira, 18, o suspeito de ter dado suporte à quadrilha que levou terror à cidade, durante a madrugada ao tentar assaltar uma empresa de transporte de valores. O depoimento do homem durou em torno de cinco horas, na delegacia local. Somente após o interrogatório, ele foi liberado. No entanto, o celular do investigado foi recolhido para apuração. Conforme a polícia, o homem de 25 anos não participou diretamente da ação, mas ajudou o grupo com logística, aluguel de imóveis e veículos, além de repassar informações sobre o alvo dos criminosos.

A notícia foi anunciada pelo secretário de Estado da Segurança Pública, Romulo Marinho Soares, à RPC Curitiba e ao G1. O Estadão confirmou a informação. 

No fim da tarde, a busca aos assaltantes que fugiram para a zona rural de Guarapuava mobilizava mais de 200 policiais, equipados com drones e com a cobertura de três helicópteros. Além do policiamento da região, equipes do Batalhão de Operações Especiais (Bope), do Esquadrão Anti-Bombas, e do Comando de Operações Especiais (COE), com atiradores de elite, tinham sido deslocados de Curitiba para a região. Tropas de Londrina e Cascavel, cidades do norte do Estado, também se juntaram ao cerco dos suspeitos.

Um blindado do Exército foi filmado circulando em Guarapuava quando acontecia o confronto entre a polícia e os criminosos, na madrugada. O blindado de modelo Guarani é usado para o transporte das tropas e faz parte da frota da 15ª Brigada de Infantaria Mecanizada, uma das seções do 26º Grupo de Artilharia de Campanha (26º Gacap), sediado na cidade. Conforme o Exército, o blindado cumpria o protocolo de segurança de proteger a unidade militar.

"O transporte ocorreu para reforçar a segurança de instalações de administração militar que estão localizadas fora do perímetro do quartel do 26º GAC", disse, em nota. Ainda segundo o Exército, não houve nenhuma ação contra instalações militares durante o ataque dos criminosos à empresa de valores de Guarapuava, em que um batalhão da Polícia Militar foi alvo dos bandidos. "As providências adotadas seguiram o protocolo de segurança da Organização Militar, destinado a preservar a integridade física de patrimônio e pessoal", informou a nota.

Após o ataque, o ministro da Justiça, Anderson Torres, defendeu mudanças na legislação brasileira para endurecer a pena para esses casos. Torres usou as redes sociais para pedir que o Congresso Nacional aprove projeto de lei que endurece a pena para crimes violentos e amplia definição de terrorismo. “Em 25/3/22, enviamos ao Legislativo um PL para alteração da Lei de Organizações Criminosas (12.850/2013). Proposta essencial para coibir crimes absurdos como esse em Guarapuava. A pena máxima passaria de 8 para 20 anos de reclusão. Conto com o apoio do Parlamento para aprovarmos”, escreveu o ministro.

Pânico

Muitos moradores relataram um clima de guerra na cidade. Em entrevista ao portal Correio do Cidadão, o publicitário Tiago Martins, que mora ao lado da empresa atacada, no bairro dos Estados, disse que os barulhos começaram perto das 22 horas e tinham sons similares a fogos de artifício.

"Eu fui dar uma olhadinha em minha janela e dava para ver que era tiro, metralhadora, bomba, fuzil, uma loucura", comentou. "Eu não consegui ir para meu quarto, passei a noite toda acordado no chão, você ficava em pânico", disse à reportagem local.

Cleber dos Santos disse, em entrevista para a BandNews, que chegou a colocar colchões na parede e havia medo de alguma bala perdida. "Estava na cama já deitado e a gente começou a escutar barulho de tiro, metralhadora, tiros mais forte, bomba também, aí escutava tudo. Jogamos colchão no chão, próximo à parede, até um vizinho fez a mesma coisa, estava todo mundo assustado, minha esposa chorando também", relatou.

De acordo com a Secretaria de Estado de Segurança Pública, 12 veículos usados pelos bandidos foram localizados (quatro deles queimados e usados como barreiras pelos criminosos), além de nove armas (entre .50 BMG, 7,62, 5,56 e calibre 12 Combat); uma pistola Glock 9 mm com seletor de rajada; um carregador de AK 47; munições; capacetes e coletes balísticos; balaclavas, facas, celulares e lanternas; um par de placas de veículo sobressalente; e R$ 1,4 mil em espécie.

À tarde, dois policiais passaram por cirurgias, mas o caso mais grave envolveu o cabo Ricieri Chagas, que estava com um projétil alojado na cabeça; o outro cabo seria José Douglas Bonato, que levou um tiro na perna. A terceira pessoa ferida é um morador da cidade que não teve o nome divulgado.

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