Paulo Liebert/AE
Paulo Liebert/AE

Preso suspeito de mandar matar vereador

Em Analândia, chefe do setor de Educação é acusado de ser responsável pela execução a tiros de Evaldo José Nalin (PSDB), em outubro

José Maria Tomazela ENVIADO ESPECIAL / ANALÂNDIA, O Estado de S.Paulo

11 Novembro 2010 | 00h00

Uma força-tarefa da Polícia Civil e do Ministério Público Estadual (MPE) prendeu ontem o chefe do setor de Educação da prefeitura de Analândia, Luiz Carlos Perin, de 44 anos. Ele é acusado de ser o mandante do assassinato do vereador Evaldo José Nalin (PSDB), executado com sete tiros no dia 10 de outubro.

Luiz Perin é irmão do ex-prefeito José Roberto Perin, atual chefe de gabinete da prefeitura. Também levado à delegacia, o ex-prefeito foi liberado após prestar depoimento no inquérito que apura o crime. Ele e seu grupo político haviam sido denunciados pelo vereador por desvio de verbas públicas e fraudes.

Os policiais, após bloquearem ruas, fizeram buscas em residências e postos de gasolina. A cidade, de 4,2 mil habitantes, parou para vê-los em ação. Ao final da ação, moradores concentrados na frente da delegacia soltaram fogos de artifício e aplaudiram o trabalho dos policiais.

O delegado seccional de Rio Claro, Roberto Daher, e o promotor de Justiça Luiz Bevilacqua, da Comarca de Itirapina, informaram que Luiz Perin teve decretada prisão temporária por 30 dias. De acordo com o promotor, o suspeito estava ameaçando e coagindo testemunhas.

Em 17 de outubro, o Estado mostrou o cenário de "velho oeste" que tomou conta de Analândia, com ameaças, agressões e execuções a tiros na cidade turística localizada entre Campinas e Ribeirão Preto, a região mais desenvolvida do Estado. De acordo com Bevilacqua, a reportagem ajudou o Ministério Público a preparar a operação de ontem.

A ordem de prisão foi dada pelo juiz de Itirapina, Mário Massanori Fujita. Em busca na casa de Luiz Perin, também autorizada pelo juiz, foram apreendidas cinco armas - incluindo uma carabina com mira a laser e uma espingarda calibre 12 -, munição e uma bomba caseira.

Arsenal. "Ele apresentou documentos de algumas armas", disse o delegado Marcos Fuentes, assistente da Delegacia Seccional de Rio Claro. "Nada justifica um cidadão manter um arsenal desse porte em casa."O presidente da Câmara de Analândia, Luiz Fernando Carvalho (DEM), que havia ido à casa de Luiz Perin para uma visita de "solidariedade", também foi revistado.

O promotor Renato Fanin comandou busca num posto que seria de "laranja" dos Perin. Foram constatadas fraudes em documentos e adulteração de combustível. De acordo com Fuentes, testemunhas viram Luiz Perin entregando uma valise a ocupantes de uma motocicleta pouco antes do crime. A moto era semelhante à usada pelos autores do assassinato. "Quando requisitamos a fita da câmera de monitoramento, elas estavam sem as imagens." Um dos executores do crime também está preso. Duas armas apreendidas foram submetidas à perícia, mas o laudo não foi conclusivo.

Luiz Perin afirmou que as acusações "não têm nada a ver" e que está "tranquilo". Seu advogado não falou com os jornalistas, mas disse aos policiais que vai pedir o relaxamento da prisão. Em seu depoimento, Roberto Perin negou qualquer envolvimento na morte do vereador.

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