Preso traficante de US$ 1,8 bi em SP

Colombiano é um dos chefes de cartel que é o maior fornecedor de cocaína para os EUA; recompensa é de US$ 5 mi

O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2008 | 00h00

Um dos maiores traficantes de droga do mundo, com patrimônio pessoal de US$ 1,8 bilhão (R$ 3,4 bilhões), Juan Carlos Ramirez Abadía, de 44 anos, foi preso ontem pela Polícia Federal, às 3 horas, em sua casa em um condomínio de luxo em Aldeia da Serra, Barueri, na Grande São Paulo. Ele é um dos chefes do Cartel do Norte do Vale, na Colômbia, o maior fornecedor de cocaína e heroína para os Estados Unidos - Abadía é acusado de enviar mil toneladas de cocaína para o país de 1990 a 2004. Ele é apontado como mandante da morte de 300 pessoas na Colômbia e 15 nos Estados Unidos.O Departamento de Estado americano oferecia recompensa de US$ 5 milhões por informações que levassem à sua captura. O superintendente da PF de São Paulo, Jaber Saadi, disse que esse dinheiro pode ser destinado à instituição. O governo americano vai pedir a extradição ao Brasil e o caso será decidido pelo Supremo Tribunal Federal (STF).Havia dois anos que os agentes da PF seguiam os rastros de Abadía no Brasil. O colombiano saiu de seu país em meio à guerra entre facções do cartel, depois de os Estados Unidos pedirem sua extradição em 2004. Aqui, ele morou em Curitiba (PR), no Rio Grande do Sul e, por fim, em São Paulo. Vivia recluso e tinha contato com poucas pessoas de sua confiança - todos colombianos.Era daqui que ele dirigia a operação de lavagem de dinheiro do cartel - o lucro da venda da droga enviada à Europa e aos Estados Unidos era trazido do México e da Espanha para o Uruguai. De lá, o dinheiro entrava no Brasil como se fosse resultado de exportações lícitas feitas no México e Espanha. A PF rastreou US$ 54 milhões movimentados pelo cartel."O dinheiro serviu para a montagem de 16 empresas", afirmou o delegado Fernando Franceschini, da PF. Em São Paulo, o traficante tinha uma loja de carros, uma de jet ski e uma empresa de importação e exportação. Nas investigações, os federais trocaram informações com a Agência Antidrogas Americana (DEA, na sigla em inglês) e com as polícias espanhola, mexicana e uruguaia.Na semana passada, os agentes souberam que o megatraficante conhecido como Chupeta (Pirulito, em espanhol) pretendia deixar o Brasil. Decidiram deflagrar a operação, autorizada pela 6ª Vara Criminal Federal. A Justiça decretou a prisão de Abadía e outros 16 acusados - quatro não foram encontrados. Abadía dormia no quarto com sua mulher, quando cerca de 20 policiais arrombaram a porta da mansão. Seu rosto estava muito diferente da foto que a polícia tinha dele - resultado de várias operações plásticas. Na casa foram apreendidos US$ 544 mil, 250 mil e R$ 55 mil. Parte do dinheiro estava em um cofre e outra escondida em fundos secretos de caixas de som. Havia jóias, 56 relógios de luxo e obras de arte no lugar. Ele tinha ainda quatro carros blindados e iates, um deles avaliado em US$ 1 milhão.

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