Presos 11 PMs que mataram o homem que os denunciou

O assassinato de um homem, na manhã de hoje, pelos policiais militares que ele havia denunciado no dia anterior provocou a prisão de 11 PMs: um tenente, cinco sargentos, quatro soldados e o ex-comandante do 16.º Batalhão da PM (Olaria), tenente-coronel Lourenço Pacheco Martins, exonerado pelo secretário estadual de Segurança Pública, Anthony Garotinho, por ter apoiado seus subordinados. Após saber de sua demissão do cargo, o tenente-coronel se dirigiu à delegacia em que os PMs estavam detidos e, armado de um fuzil, ameaçou processar os jornalistas presentes.Acompanhado por três outros moradores de Parada de Lucas (zona norte), Leandro dos Santos Silva, de 24 anos, esteve na quarta-feira com o inspetor de Polícia, coronel PM João Carlos Ferreira, para denunciar PMs do 16.º Batalhão, que estavam extorquindo e ameaçando de morte aqueles que não pagavam o ?pedágio?. Leandro, que fora espancado, disse ter pago R$ 1 mil aos policiais, que exigiram outros R$ 1 mil para ?deixá-lo em paz?. Levado até a 5.ª Delegacia Policial, ele confirmou as denúncias em depoimento. Depois, foi levado ao Instituto Médico-Legal para exame de corpo de delito. Um flagrante foi combinado entre o inspetor e o subsecretário de Segurança, Marcelo Itagiba, mas antes o denunciante foi assassinado.?Às 6h30 de hoje, ao sair de casa, Leandro foi abordado pelos mesmos PMs e foi brutalmente assassinado. Montaram a cena para forjar um auto de resistência, colocaram um revólver calibre 38 de numeração raspada ao lado do cadáver para simular que houve reação. Mas nós já sabíamos de toda a história?, disse Garotinho à tarde.O secretário, então, determinou que o tenente e os dez praças fossem conduzidos até a 38.ª Delegacia Policial, onde suas armas foram apreendidas e eles foram autuados por homicídio qualificado. ?O comandante começou a defender os policiais. Quando percebi uma resistência maior, ao ponto de ele dizer que eram homens de sua confiança, eu o exonerei?, narrou o secretário.

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