Presos 2 por golpe do celular novo

Eles encomendavam à operadora aparelhos em nome de clientes e os retiravam na casa da vítima, alegando engano

Valéria França, O Estadao de S.Paulo

23 Agosto 2007 | 15h01

A polícia prendeu ontem dois homens que estavam aplicando um novo golpe do telefone celular. Trata-se da falsa encomenda de um aparelho. Os estelionatários estavam fazendo vítimas em toda a cidade - até que uma delas, moradora dos Jardins, na zona sul de São Paulo, resolveu procurar a polícia. A armação começa com a entrega inesperada de um celular em casa. O assinante, que não fez nenhuma encomenda, estranha o fato e liga automaticamente para a empresa de telefonia. Até agora, todas as vítimas são da Vivo, mas a polícia não descarta que haja vítimas de outras operadoras. O funcionário da operadora, sem saber direito o que aconteceu, desculpa-se e tenta consertar a situação. Diz que vai providenciar a retirada do aparelho. Antes de desligar, por uma questão de segurança, dá o número do protocolo da operação, que é o mesmo da compra. Pouco tempo depois, o assinante recebe a ligação de um falso funcionário da Vivo. Ele confere o número do protocolo e combina de retirar o celular no mesmo dia. Logo depois um motoboy passa na casa do assinante e retira o celular. Na terça-feira passada, sem saber, a quadrilha armou o golpe para cima de um juiz de uma Vara Criminal da capital. Ele desconfiou quando recebeu o telefonema do pretenso funcionário da Vivo. Segundo ele, a empresa havia dito que retiraria o telefone em dez dias. O falso empregado avisou que passaria lá em 24 horas. O juiz achou estranho e registrou boletim de ocorrência na 78º DP, dos Jardins. Quando o motoboy apareceu para pegar o celular, os policiais deram o flagrante. Segundo Marcos Gomes de Moura, delegado-titular do 78º DP, os acusados sabiam como funciona o sistema de telemarketing da operadora, pois um deles já havia trabalhado no setor. Com o nome, endereço e CPF dos clientes, o acusado telefonava para o telemarketing se fazendo passar pelo proprietário da linha e pedia cancelamento do serviço. Para não perder o cliente, a operadora oferecia vantagens, como pontos para serem usados na compra de um novo celular. A maioria das operadoras reverte a conta do celular em pontos, que ao atingirem determinado patamar viram moeda na compra de novos aparelhos. Os acusados usavam, então, os pontos dados para encomendar o aparelho. Sabiam que a operadora levaria até 10 dias para entregar o telefone no endereço da casa do cliente. Esperavam esse tempo e telefonavam para ''''desfazer o engano''''. Hugo Ramirez Santos, de 25 anos, que se fazia passar pelo motoboy da Vivo foi preso com um modelo Prada Me 850, uma aparelho mais elaborado, com tela sensível ao toque e câmera fotográfica, que custa R$ 1.349. Ele pilotava uma Honda 250 e disse morar em uma casa na Praça Panamericana, em Pinheiros, na zona oeste. Ao depor, Santos disse que ganhava R$ 50 em cada celular que ele recolhia a pedido de outro acusado de envolvimento no golpe: o estudante José Laurentino Lopes Bezerra, de 26 anos, o Cubano. Santos contou ainda aos policiais o nome da namorada de Cubano. Ao ser localizada, ele disse aos investigadores do 78º DP que ele poderiam encontrar o suspeito em uma faculdade da zona oeste, onde ele cursa Educação Física. Cubano foi detido ontem à noite e confessou o crime. Ex-funcionário da empresa responsável pelo telemarketing da Vivo, o estudante responde ainda em liberdade a um outro processo sob a acusação de formação de quadrilha e estelionato. Por enquanto, a polícia já sabe de pelos menos 30 vítimas desse novo golpe.

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