Presos 4 suspeitos de envolvimento em assalto a carro-forte

A Polícia Federal prendeu hoje quatro pessoas investigadas por envolvimento numa quadrilha de assaltos a bancos e carros-fortes que financiava o tráfico de drogas. O grupo teria participado do roubo de R$ 1,25 milhão do carro-forte da empresa Transbank, no Méier (zona norte), no último dia 10. O motorista do blindado fugiu com o dinheiro. Segundo a PF, pelo menos R$ 140 mil foram entregues a traficantes da facção criminosa Comando Vermelho. O líder da quadrilha, Rômulo de Souza Mello, o Rominho, de 34 anos, foi preso dois dias depois do roubo e estava sendo investigado pelo setor de inteligência da PF há um ano e meio. Com ele, foram recuperados R$ 131 mil.Hoje, cerca de 70 agentes da PF, com o apoio da Delegacia de Roubos e Furtos (DRF) da Polícia Civil do Rio, deflagraram uma operação para cumprir sete mandados de prisão. Em Vila Kennedy, na zona oeste, foram presos o soldado do Corpo de Bombeiros Gilmar de Almeida Ananias, de 35 anos, a recepcionista Sideusa Soriano Lira, de 30, e Anderson Gomes Anselmo, também de 30. Este último trabalha como vigilante da Transbank. No Morro da Formiga, na Tijuca (zona norte), os policiais prenderam a aposentada Jacilda Soares de Freitas, de 49. As duas localidades são áreas de atuação do Comando Vermelho. Ontem a polícia já havia prendido um outro suspeito, cujo nome não foi divulgado para não atrapalhar as investigações. Com ele foram recuperados outros R$ 97 mil. A polícia acredita que a maior parte do que foi roubado está sob a guarda de terceiros a pedido dos bandidos. Três suspeitos estão foragidos, entre eles os maridos de Sideusa e Jacilda. Segundo o delegado federal Marcelo Bertolucci, que chefiou a operação, o dinheiro foi dividido em 9 partes na casa de uma delas. A outra teria dado "apoio logístico". Pelo menos uma das frações, no valor de R$ 140 mil, foi divida entre os traficantes do Comando Vermelho dos morros vizinhos da Formiga e do Borel, na Tijuca. "Isso é uma constante. O tráfico de drogas está muito ligado a crimes contra estabelecimentos financeiros. Quando o tráfico está baixo e precisam de dinheiro, eles se capitalizam assim. É uma linha que vem sendo desenvolvida nas investigações tanto da Polícia Civil quanto da Polícia Federal", disse Bertolucci. Além de responder pelo roubo, os acusados devem ser indiciados por contribuição para o tráfico. Pelo dinheiro, a quadrilha provavelmente recebeu dos traficantes o empréstimo de armas e carros para concretizar o crime. No dia do roubo ao carro-forte, o motorista Ronaldo Ferreira de Oliveira alegou ter fugido com o veículo e entregue o dinheiro porque sua família estava sob a ameaça de bandidos em casa. Como a versão foi cercada de contradições, ele chegou a ser preso como suspeito de integrar a quadrilha. A polícia ainda investiga se ele teve ou não participação. Um dos que foram presos hoje negou que o motorista tenha sido conivente. O delegado Márcio Franco, titular da DRF, suspeita de que Oliveira tenha sido cooptado pela quadrilha para facilitar o roubo e teria enganado até mesmo a própria família. "Achamos que ele não tem vínculo com a quadrilha. A participação dele é eventual, específica para esse crime", disse Franco, para quem a investigação desarticulou a principal quadrilha de assalto a banco e blindados no Rio. A PF havia desarticulado parte da quadrilha no ano passado, mas Rominho retomou as ações recentemente. "Eles se especializaram nesse tipo de crime com ameaça e seqüestro de parentes de gerentes e funcionários de banco", contou o delegado.

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