Presos 59 por golpe de R$ 7,5 mi em telefônica

Quadrilha reduzia em até 95% valor de conta; polícia do PR e de SC ainda procura 14 pessoas acusadas de participarem no esquema

Evandro Fadel, CURITIBA, O Estadao de S.Paulo

05 de novembro de 2008 | 00h00

A Polícia Civil do Paraná prendeu, até a noite de ontem, 59 pessoas acusadas de participação em um golpe contra a operadora de telefonia Brasil Telecom. O prejuízo acumulado desde 2003 pode chegar a R$ 7,5 milhões. A quadrilha alterava cadastros e reduzia em até 95% o valor de contas dos beneficiados pelo esquema. A Operação Espectro ocorreu no Paraná e em Santa Catarina e os policiais ainda estavam à procura de 14 pessoas para cumprir mandados de prisão temporária.Entre os presos está Vandré de Oliveira Araújo, de 24 anos, acusado de liderar o grupo. Ele já trabalhou em empresas especializadas em telefonia e seria o mentor. Para executar o golpe, contava com a ajuda de empregados da operadora ou terceirizados. Oito presos são co-autores com Araújo, 8 são funcionários de empresas ou aliciadores e 42 são beneficiários. Araújo nem seu advogado, Felipe Almeida, comentaram o caso.Segundo o delegado-chefe da Subdivisão do Centro de Operações Policiais Especiais (Cope), Francisco Caricati, a operação teve início há cerca de um ano, quando a Brasil Telecom apresentou queixa de prejuízos injustificados, por causa de provável invasão ao banco de dados. "Foi um trabalho extremamente profissional, com uso das mais modernas técnicas de inteligência", afirmou o secretário da Segurança Pública, Luiz Fernando Delazari. Caricati contou que a quadrilha trabalhava com várias fraudes. A mais comum era a invasão dos cadastros e a redução das contas. "Os funcionários da Brasil Telecom recebiam uma espécie de aluguel semanal de suas senhas de acesso e de segurança", disse Caricati. Terceirizados também ajudavam. Com os códigos, Araújo conseguia entrar no sistema, abrir ordens de serviço e alterar valores.Outra modalidade de golpe permitia que clientes utilizassem os telefones em nome de outras pessoas. Sem pagar as contas, esses terceiros só descobriam que eram lesados quando precisavam de certidão de órgãos de proteção ao crédito. Araújo tinha aliciadores de clientes interessados em reduzir gastos. Segundo a polícia, houve conta com redução de até 95%. "Algumas chegaram a ser diminuídas para R$ 0,02", disse Caricati. Os beneficiários do golpe pagavam ao bando 50% do valor devido. Araújo ficava com a metade da propina e dividia o resto com aliciadores. Caricati disse que mais de 500 pessoas se beneficiaram, mas a "questão processual" não teria alcançado a maioria. O delegado afirmou que, durante as investigações, observou indícios de golpes em outras empresas de telefonia fixa e celular.Em cumprimento a mandados de busca e apreensão, foram recolhidos vários documentos, como comprovantes de pagamentos, extratos bancários, notebooks, memórias de computador e uma espécie de central telefônica. Todos os presos serão indiciados por estelionato e formação de quadrilha. A Brasil Telecom disse que tem colaborado nas investigações.

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