Presos agente da PF e militar da Anac por ajuda a colombiano

Os dois são acusados de fornecer vistos nos passaportes falsos usados por Ramírez Abadia

Rodrigo Pereira e Evandro Fadel, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2018 | 00h00

A Polícia Federal prendeu ontem, em Foz do Iguaçu (PR), o suboficial da Aeronáutica Ângelo Reinaldo Fernandes Cassol e o agente da PF Adilson Soares da Silva, ex-vereador da cidade. Eles são apontados como responsáveis pelos vistos de entrada e saída nos passaportes argentinos, paraguaios e venezuelanos falsificados usados pelo megatraficante Juan Carlos Ramírez Abadía no Brasil.Chefe do escritório da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) em Foz, Cassol figura nas investigações como o elo entre os integrantes da quadrilha de Abadía e a PF. A dupla cobrava US$ 200 por "renovação" de visto de turista nos passaportes, prática que precisava ser repetida a cada três meses.Segundo as investigações do Departamento de Repressão a Entorpecentes da PF de São Paulo, cabia ao piloto André Luiz Barcellos transportar os passaportes até Foz para regularizá-los. Já Silva providenciava o carimbo e a assinatura nos passaportes. Em algumas ocasiões, os documentos foram remetidos via Sedex. Com o esquema, a quadrilha burlava eventuais fiscalizações e fazia parecer que tinha a situação completamente regular no País. O golpe permitiu a Abadía e demais estrangeiros da quadrilha passar três anos incólumes no Brasil, sem precisar se identificar nas fronteiras. As prisões foram decretadas pelo juiz Fausto Martin De Sanctis, titular da 6ª Vara Criminal Federal de São Paulo. Para justificar a medida, argumentou no despacho que o golpe "revela que a organização criminosa teria se infiltrado em órgão da União, o que coloca em grave risco a ordem pública".Cassol foi preso no início da manhã em sua casa no centro de Foz, onde os federais da cidade e de São Paulo também cumpriram mandado de busca. As outras buscas e apreensões foram cumpridas no escritório dele no Aeroporto de Foz e na agência de viagens Point Tur, que pertence à mulher de Cassol - onde foram encontradas passagens aéreas da quadrilha de Abadía. Segundo a PF, a mulher de Cassol não participou nas atividades do marido. Por volta do meio-dia, Silva foi preso na delegacia da PF, quando conversava sobre a operação que acontecia na cidade. Houve busca em um escritório do policial e em sua casa, com a apreensão de uma agenda com os números de telefones de Cassol. Os dois presos foram levados à tarde para São Paulo. Em Curitiba, o superintendente da PF em São Paulo, Jaber Saadi, alegou segredo de Justiça para não comentar as prisões, mas avisou que as investigações "vão envolver muita gente, e todos aqueles que estiverem envolvidos deverão ficar muito preocupados porque chegaremos a eles". À tarde, a Anac formalizou a exoneração de Cassol de seus quadros.

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