Presos circulam livremente por Bangu 3

Os 832 presos de Bangu 3 estão circulando livremente pelo pátio e galerias do presídio, sob a vigilância de apenas 16 agentes. Durante a rebelião iniciada após a tentativa de fuga da última terça-feira, os detentos arrancaram a maioria das portas das celas, que ainda não foram recolocadas. Dessa forma, aumenta o risco de novas rebeliões e de ataques aos funcionários do Departamento do Sistema Penitenciário (Desipe) responsáveis pela segurança.O secretário de Justiça do Estado, Paulo Saboya, reconhece o perigo na unidade, que ele considera a mais problemática administrada por sua pasta. Lá estavam alguns líderes do Comando Vermelho: Isaías da Costa Rodrigues, o Isaías do Borel; Leonardo da Silva, o Sapinho; Marcos José Monteiro, o Cebolinha; Márcio Cândido da Silva, o Porca Russa; José Carlos Elias, o Popeye; e Jorge Luís Pereira Soares. Todos foram transferidos para Bangu 1."É claro que isso representa uma ameaça e fragiliza o sistema penitenciário. Após a rebelião de novembro de 2001, Bangu 3 passou um tempo na mesma situação e acreditamos as armas usadas nesta rebelião tenham entrado nessa época", disse o secretário. Ele afirmou já ter determinado a recolocação das portas em caráter de urgência, mas não soube precisar quando tudo estaria pronto. "Da outra vez, era uma guerra para os operários entrarem; tinham que ser escoltados pelo Batalhão de Choque."Na opinião do advogado do sindicato dos agentes penitenciários, Wilton Tostes, "o risco é total". "Perde-se o controle sobre os presos, e os funcionários ficam muito vulneráveis a qualquer tipo de ação dos internos", disse.Normalmente, os detentos podem ficar fora das celas durante parte do dia, mas voltam a partir do fim da tarde e ficam trancados a partir de então. Na atual situação, o controle da multidão de mais de 800 homens fica praticamente impossível. Como há quatro turmas de 16 agentes - que trabalham em turnos de 24 horas, por 72 horas de folga -, cada um deles é responsável teoricamente por 52 presos, em média.Os depoimentos de 32 agentes penitenciários que estavam na véspera e no dia da rebelião de Bangu 3 vão ser tomados a partir de segunda-feira. Eles haviam sido convocados para depor nesta manhã, porém um acordo entre Ricardo Hallak, da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), e o diretor da penitenciária, capitão PM Luiz Gustavo Matias, possibilitou o adiamento. Uma das turmas estava trabalhando hoje, e o oficial afirmou estar com dificuldades para encontrar os outros. Para Hallak, "houve uma falha muito grande de segurança ou conivência" para permitir a entrada dos três fuzis, cinco pistolas e farta munição na cadeia.

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