Presos completam 10 dias algemados a banco em MS

Nesta segunda-feira completam-se dez dias consecutivos de tortura para seis homens que estão presos no 1º Distrito Policial da cidade de Dourados em Mato Grosso do Sul, a 220 quilômetros de Campo Grande, na região Sul do Estado. Eles estão algemados em um banco de ferro no corredor da delegacia, por falta de cela no local. A situação está comovendo a população e o resultado são doações de colchões, cobertores, até bananas e laranjas para o grupo.Sandro Marcio Pereira, delegado de plantão neste domingo, explicou que existem duas celas no local, uma delas ocupada por quatro detentas e a outra desativada por falta de condições de uso. Diretor de Polícia do Interior (DPI), Fernando de Paula Lousada, afirma que o problema estará solucionado ainda este mês, quando mais duas celas serão ativadas, o que não é uma medida definitiva, devido ao grande número de prisões que ocorre em Dourados.NarcotraficantesEm Ponta Porã, divisa com o Paraguai, a cadeia também está lotada e vai receber mais presos. O juiz federal Odilon de Oliveira, requisitou a extradição de todos os condenados por tráfico de drogas no Brasil e que fugiram para o país vizinho. Segundo garantiu, a primeira leva de extraditados chega no próximo mês, em data ainda não confirmada pelas autoridades paraguaias. "Tem um tratado entre Brasil e Paraguai desde 1922 permitindo a extradição. Para usufruir do termo e dar celeridade a esse processo, precisamos da aproximação entre os juízes e normatizar a prática, porque o que acontece hoje é o pedido de extradição de um jeito aqui e executado de outra forma no Paraguai".Ele esclareceu que "o confisco de bens nunca ocorreu. Como cresceu o narcotráfico só a prisão não é suficiente para produzir o efeito esperado e desarticular o bando. Tem de haver a descapitalização para dificultar a atividade da organização". Em menos de um mês, o magistrado fez seis pedidos de extradições e está encaminhando mais 15. ?O Brasil exporta traficantes como exporta jogadores de futebol""Os traficantes condenados no Brasil, vão para o Paraguai e ficam impunes, adquirem bens e passam a afrontar a ordem pública, a corromper autoridades e policiais. Só o trabalho em conjunto pode evitar isso. Eles já prenderam algumas pessoas e disseram que no prazo máximo de um mês já devem enviar os primeiros presos. Depois da prisão, quero partir para o confisco de bens, devo começar em setembro. O Brasil exporta traficantes como exporta jogadores de futebol", concluiu.

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