Presos continuam rebelados em penitenciária de Minas

A rebelião na Penitenciária Nelson Hungria, em Contagem, na região metropolitana da capital mineira, já durava 32 horas no início da noite desta quinta-feira. Os 103 presos do pavilhão 2 mantinham cinco pessoas como reféns.No final da tarde, a Polícia Militar precisou intervir para evitar que o motim se estendesse ao Pavilhão 10. Segundo a PM, os policiais invadiram o local para controlar a situação. A segurança foi reforçada para evitar que outros pavilhões se rebelassem.As negociações com os amotinados, que haviam sido suspensas na noite desta quarta-feira, foram retomadas por volta das 10 horas desta quinta, mas, no início da noite, a PM considerava difícil chegar a um acordo com os rebelados.Os presos cobram a revisão dos processos de execução penal, a implantação de um regime de celas individuais e a ampliação dos horários de banho de sol. Eles ainda denunciaram maus-tratos. Quatro agentes penitenciários e o vice-diretorde disciplina, Rui França Júnior, estavam em poder dos detentos. Segundo a PM, os presos estavam armados de facas e chuços (armas brancas improvisadas).A rebelião teve início por volta das 11h15 desta quarta-feira. Um dos motivos principais para a revolta dos detentos seria a rigidez adotada no presídio, que já foi palco de outros quatro motins somente neste ano. A Subsecretaria de Estado de Administração Penitenciária informou que a posição do governo de Minas é não ceder às pressões dos presos rebelados.Nesta quinta-feira, a Comissão de Segurança Pública da Assembléia Legislativa de Minas Gerais divulgou um relatório das investigações feitas nos últimos dois meses na Nelson Hungria. Nove funcionários foram denunciados, acusados de facilitar fugas e distribuir regalias entre os detentos. Entre eles estão o ex-diretor-geral capitão Salvador Marzano e Rui França Júnior, que está entre os reféns.A comissão vai entregar as denúncias ao Ministério Público e pedir a abertura de inquérito e quebra do sigilo bancário, fiscal e telefônico dos funcionários envolvidos. Os deputados informaram que vão encaminhar o relatório ao Comando daPolícia Militar e solicitar a abertura de sindicância para apurar a participação de militares nas denúncias.De acordo com os deputados estaduais Sargento Rodrigues (PDT) e Rogério Correia (PT), não há dúvidas de que a fuga de oito detentos da penitenciária, no dia 23 de março, foi facilitada por agentes penitenciários, em troca de um pagamento de R$ 30mil.Em, março, a polícia encontrou nos pavilhões da Nelson Hungria um aparato montado para a diversão dos presos: televisores, churrasqueira, microondas, bebidas, carnes e até uma piscina desmontável, entre outros objetos. O presídio abrigaatualmente 790 detentos.

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