Presos de Bangu 1 negam participação em motim

Seis presos acusados de participar da rebelião de 11 de setembro em Bangu 1, no ComplexoPenitenciário de Bangu, na zona oeste do Rio, disseram nesta terça-feira, em depoimento à Justiça, que acompanharam o motim de dentro de suas celas, pela televisão. Eles negaram envolvimento nas quatro mortes ocorridas durante a ação.O agente Marcus Vinícius Tavares Gavião, o Playboy, que teria facilitado a entrada de armas na unidade e fornecido as chaves da galeria A para a fuga, também negou participação.Márcio José Guimarães, o Tchaca; Nélson Rodrigues dos Santos, o Nelsinho da Mineira; Ricardo Chaves Castro Lima, o Ricardo Fu; Levi Batista da Penha, o Baby; Marcelo Fonseca de Sousa, o Marcelo Xará; e Almir Araújo, o Mimi, que estão emBangu 1 e Bangu 3, foram levados até o Fórum de Bangu sob escolta de 30 agentes do Serviço de Operações Especiais (SOE) do Departamento do Sistema Penitenciário (Desipe).O grupo chegou às 13h30, e os depoimentos terminaram por volta das 17 horas. Eles disseram ao juiz Carlos Eduardo de Carvalho Figueiredo, da 1ª Vara Criminal, que não saíram da galeria A durante todo o motim, que durou 23 horas. O inquérito policial apurou, no entanto, que a rebelião começou justamente nessa galeria, onde estavam os presos armados.Os detentos afirmaram ainda que tinham ouvido da direção do presídio que haveria um "banho de sangue" em Bangu 1, mas ressaltaram quenão sabiam quando isso ocorreria.O agente Gavião negou que tivesse conivência com os presos. Disse que seu contato com eles era "mínimo" e que nunca lhe foi oferecido suborno. Ele afirmou ainda que não foitrabalhar no dia da rebelião porque sofreu um pequeno acidente com o carro quando ia para o presídio.De acordo com a denúncia do Ministério Público, Playboy teria fornecido as armas usadaspelos rebelados e cópias das chaves das celas em troca de R$ 400 mil. Ele está no presídio Ary Franco, em Água Santa, zona norte do Rio.O traficante Marcos Antônio da Silva Tavares,o Marquinhos Niterói, preso no Batalhão de Choque da PM, no Centro, depois que foram encontradas drogas em sua cela em Bangu 1, também foi interrogado nesta terça. Ele negou ser o dono do material apreendido. Niterói é acusado de ter ordenado o fechamento do comércio na região metropolitana do Rio, no dia 30 de setembro.Durante o trajeto entre o BPChoque e o Fórum de Bangu, houve um incidente: os cinco carros da PM que acompanhavam o preso tiveram de dar meia-volta na Avenida Brasil, uma das principais vias da cidade, e seguir pela contramão para fugir deum engarrafamento provocado por um acidente. Assim, buscavam evitar uma possível tentativa de resgate de Niterói.

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