Presos de Mirandópolis tentam fuga após destruição de câmeras

Após destruíram no final da tarde de domingo, 23, os refletores de iluminação e as câmeras instaladas pela Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) na Penitenciária 1 (P1) de Mirandópolis, a 615 quilômetros de São Paulo, os detentos conseguiram subir no telhado numa tentativa de fuga, mas foram barrados pelos agentes. Os 1.200 detentos vivem amontoados num pavilhão da penitenciária.Ontem, revoltados com o corte do fornecimento de luz, os detentos jogaram pedras e entulho contra as câmeras, instaladas para vigiá-los, quebrando-as. O início do tumulto levou a direção do presídio a chamar a Tropa de Choque da Polícia Militar para frear uma possível rebelião. A PM ficou na entrada do presídio, mas não entrou no local.Os detentos vivem no pavilhão, com capacidade para 380 pessoas, desde que destruíram os outros três pavilhões do presídio numa rebelião, em 16 de junho. No local, há 88 celas com três camas cada uma para todos os 1.200 detentos.Por medida de segurança, a SAP instalou refletores para iluminar o pavilhão e câmeras para vigiar os detentos. Mas os refletores tiveram de ser desligados ontem porque, segundo a direção do presídio, os detentos estavam usando a energia para carregar os telefones celulares. A decisão de desligar os refletores irritou os detentos.A instalação de câmeras é uma estratégia adotada pela SAP para flagrar detentos que cometem crimes dentro das unidades do sistema. São usadas também para mostrar aos parentes e instituições de direitos humanos que os detentos não são maltratados.ProtestoO fim de semana foi marcado por protestos em Mirandópolis. Vestidas de branco, cerca de cem mulheres de presos passaram o sábado e o domingo na entrada do presídio protestando contra o tratamento "cruel e desumano" dado aos detentos.Segundo elas, os presos estão sem assistência médica, remédios e colchões para dormir. A água e a alimentação são racionadas. Elas pediram a transferência dos presos e atendimento médico urgente a 70 detentos feridos. "Eles estão sendo envenenados todos os dias. Eles encontram cacos de vidros, pregos e mais sujeira na comida", diz Cristina Patrícia Maurício, mulher de um detento e uma das organizadoras do protesto.

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